12/11/2009 Aurora Cunha: «Nunca abandonei o clube»
No dia em que se celebraram os 25 anos do primeiro título mundial conquistado ao serviço do FC Porto, Aurora Cunha respondeu às perguntas colocadas pelos leitores do www.fcporto.pt. A 11 de Novembro de 1984, em Madrid, a atleta azul e branca sagrou-se Campeã do Mundo de Estrada e iniciou um ciclo de grandes sucessos e conquistas. Segue-se a entrevista dos adeptos, em que Aurora Cunha recorda várias etapas marcantes da carreira.
Passados 25 anos sobre o primeiro titulo mundial conquistado ao serviço do FC Porto, o que sentiu nesse dia? João Silva, sócio n.º 98513 Senti uma alegria enorme. Estava longe do país e não me apercebi da grandeza do feito. Durante a tarde recebemos telegramas de felicitações do primeiro-ministro e do Presidente da República e só aí é que eu e o Fonseca e Costa, o meu treinador, nos apercebemos da grandeza do feito.
Gostava de saber se o primeiro título mundial teve um sabor especial por ter sido conquistado com a camisola do FC Porto. Noutro clube teria tido o mesmo significado? Joana Borges, Paredes O facto de ter sido no FC Porto teve um significado muito grande. Tinha sido finalista olímpica, com dois recordes nacionais, e procurava algo mais na carreira. Consegui-o e proporcionei ao FC Porto um dos seus primeiros grandes títulos internacionais.
A Aurora Cunha tem consciência de que foi a atleta azul e branca que melhor encarnou o verdadeiro espírito do Dragão na modalidade de atletismo? Hélder Barros, Amarante Fui uma atleta que nunca abandonou o clube e perdi alguns milhares de contos por isso. Em 1985 recebi uma proposta do Benfica, mas optei por continuar ligada ao FC Porto, porque o coração falou mais alto.
A sua relação com o FC Porto é só profissional ou também sentimental? Bruno Vieira Foi sempre sentimental, vivo as vitórias e as derrotas do clube, apesar de não fazer parte da sua estrutura. Quem veste uma camisola durante 20 anos dificilmente esquece os bons e os maus momentos.
Li numa biografia sua que, a nível nacional, venceu 22 campeonatos individuais, foi seis vezes campeã nos 1.500 metros, oito vezes nos 3.000 metros, quatro vezes nos 5.000 metros e quatro vezes no corta-mato. Não se cansava de ganhar? Ana Sofia, Oeiras Não, porque corria por prazer. É sempre bom ganhar, até porque sentia que esta massa associativa também vive de vitórias.
O facto de nunca ter sido medalhada nos Jogos Olímpicos é a maior decepção da sua carreira? João Barbosa, Vila Nova de Gaia Não é uma decepção. Fui sexta nos Jogos Olímpicos de 1984, o que não é para qualquer atleta. Em Barcelona 1992 tinha o objectivo da medalha, não a ganhei, mas ganhei a minha filha, que é a minha medalha mais importante. Soube três meses depois que estava grávida.
Que distância gostava mais de correr? José Lopes, Faro No meio-fundo fiz tudo, desde os 800 aos 10.000 metros, durante muitos anos. Devia ter ido para a maratona mais cedo. Mas gostava mais dos 10.000 metros em pista, quando ia para os grandes palco s, com 50 ou 60 mil pessoas a ver.
No decurso da inauguração do Dragão Caixa, foi homenageada como uma das 24 Lendas do FC Porto, ao lado de Fernanda Ribeiro, no atletismo. O que é que isso representou para si? João Barbosa, Vila Nova de Gaia Nunca nos esquecemos desses momentos, que são sempre bonitos e motivos de orgulho. Para além disso, servem para os mais novos saberem quem somos e que temos ali o nosso nome por algo importante.
Gostaria de ser homenageada no Estádio do Dragão? Bruno Vieira Já fui homenageada na inauguração do Dragão Caixa. O que posso dizer é que qualquer atleta que representou o seu clube de coração vê estas situações como um motivo de orgulho e satisfação.
Como é que uma ex-atleta continua a viver o clube? Acompanha o dia-a-dia do FC Porto? José Chaves, Matosinhos Continuo a acompanhar e interesso-me pelo que ocorre no dia-a-dia. Temos de saber conviver com os bons e os maus momentos.
Ser atleta do FC Porto transmitia-lhe uma garra especial? Paula Martinho, Gondomar Sem dúvida. Quando corria sozinha nas ruas de Lisboa com aquela camisola não era fácil e tinha grande prazer em ganhar lá provas. Mas, na verdade, acho que a grande maioria das pessoas tinha um carinho muito grande por mim.
Sentia alguma animosidade em algumas provas por ser atleta do FC Porto? Armanda Trancoso, Porto de Mós Não, pelo contrário, era sempre acarinhada. Penso que isso se deve ao facto do atletismo ser uma modalidade bem vista em todo o país. Claro que havia sempre adeptos que não gostavam das vitórias do FC Porto.
Há alguma vitória ao serviço do FC Porto que relembre de uma forma particular? Manuel Ferraz, Valongo Foram tantas… Posso talvez relembrar a primeira: em 1977 vim para o FC Porto e em 1978, vinda de uma aldeia, fui campeã nacional de crosse. A partir daí nunca mais parei de ganhar títulos.
Em 2005 foi condecorada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelos serviços prestados ao desporto português e pela sua luta contra as desigualdades sociais. Foi a maior honra que já recebeu? Alberta Morais, Brasil Ser condecorada pelo Presidente da República, a entidade maior do país, é motivo de grande orgulho. Sem dúvida que foi um dia que ficou marcado na minha memória.
Quem é para si o melhor atleta de todos os tempos? Bruno Vieira O Carlos Lopes. Ele foi um marco, incentivou o meu aparecimento. Até por isso tinha a alcunha de «Carlos Lopes de saias» (risos). Era o atleta mais completo a nível mundial.
Continua a correr todos os dias? Frederico Costa, Porto Tive de me ausentar dos treinos durante muitos anos, também devido a um problema de saúde que felizmente ultrapassei. As lesões foram muitas, treinava e parava. Na Maratona do Porto (no passado domingo), fiz o percurso de bicicleta ao lado da Fernanda Ribeiro e disse para comigo mesma que era o momento de voltar a calçar as sapatilhas e treinar todos os dias. Estou sem dores nos tendões, corro por prazer.
Ainda faz maratonas? Que tempo ainda consegue fazer? Angélica Moreira, Viseu Nunca mais, jamais farei. Exigem uma preparação muito grande e neste momento tenho 50 anos e tenho de pensar em mim e não nesses grandes voos.
Vejo-a sempre nas provas de atletismo organizadas no Porto. O que faz nessas situações? Teresa Santos, Porto No fundo, sou a relações públicas da Runporto, que organiza várias provas na cidade. Ando um pouco por todo o país, mas faço esta função essencialmente na minha cidade, partilhando momentos fantásticos e apoiando várias causas.
Acha que correr é o melhor exercício possível? Diana Pereira, Montalegre Todas as modalidades são exercícios possíveis. Mas correr com prazer, com um objectivo, depois de oito horas de trabalho, durante 30 a 40 minutos, é o melhor que há, mental e fisicamente. Vale a pena.
O jogging parece estar na moda. Acha que há mais gente a correr? Joaquim Furtado, Ponta Delgada Há muito mais gente, por exemplo, no Porto. Isso vê-se nos eventos que organizamos, a cada prova os participantes aumentam. Os portuenses começam a ter hábitos desportivos e isso também é cultura
Segundo sei, integra várias acções de solidariedade. Pode falar-nos um pouco sobre o seu envolvimento? Marta Dias, Braga Todos temos obrigação de participar neste tipo de eventos. De uma maneira pessoal, por problemas de saúde que tive, fiquei ligada à Liga Portuguesa Contra o Cancro. Assim surgiu a Corrida da Mulher, que se tornou num grande êxito. Quando as pessoas são chamadas a ser solidárias, dizem sim.
Sendo o Porto a cidade mais linda do mundo, porque é que não mora no Porto? Manuel Moreira Em primeiro lugar, porque sempre vivi entre Vila do Conde e Póvoa de Varzim, após ter casado. Nunca tive a felicidade de morar no Porto, apesar de ser quase a mesma coisa do que residir na Póvoa de Varzim. É muito perto.
Muitos analistas consideram que o fundo e meio-fundo portugueses estão em crise. Partilha dessa opinião? Carlos Correia Há uma crise de quantidade e qualidade em relação à geração dos anos 80 e 90, que era fantástica. Penso que também tem a ver com a mentalidade da nova geração, que prefere os jogos colectivos ou a PlayStation. Mas temos agora uma boa geração feminina, melhor do que a masculina.
A decisão de abandonar a competição foi difícil? Alberto Bastos, Maia Muito, até porque tive de abandonar devido às lesões. É triste não podermos continuar a fazer aquilo que sempre fizemos.
Quando começou a correr, que condições tinha um jovem praticante? Belmira Ferreira Nenhumas. Lembro-me que a primeira vez que fui correr a Lisboa foi um empresário da minha aldeia que me deu dinheiro para chegar lá e comprar uns sapatos de bicos. Eu calçava o 36, mas não havia, então comprei o número 37 e na ponta da biqueira meti um bocadinho de jornal. Digo em tom de brincadeira que bati os recordes nacionais de 1.500 e 3.000 metros porque a biqueira era maior um bocadinho. |
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Cachecol duplo riscas Azul/Amarelo
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Adeptos
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10.16 EUR
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Vestido piquet Azul
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Mulher
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29.48 EUR
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Camisa Bebé Sem Mangas
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Criança / Bebé
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9.66 EUR
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