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13-12-2017

A vontade era tanta que até a bola furou

Depois de treinos madrugada dentro e de 120 minutos debaixo de um nevão, a primeira Intercontinental veio para o Porto


Mlynarczyk, João Pinto, Inácio, Lima Pereira, Geraldão, Jaime Magalhães, André, António Sousa, Rui Barros, Madjer, Fernando Gomes e o suplente Quim: são estes os 12 Homens do gelo (título da reportagem de Ricardo Amorim, editada por Hugo Matos, que pode rever em cima) que permitiram ao FC Porto conquistar a Taça Intercontinental, faz esta quarta-feira precisamente 30 anos. Nesse trabalho de 2011 está incluído o momento que referimos no título: ao aliviar a bola, João Pinto furou-a, numa demonstração do querer e da força daquela mítica equipa.

O jogo de Tóquio, que terminou com o triunfo por 2-1 (golos de Gomes e Madjer), após prolongamento, frente ao Peñarol, foi disputado debaixo de um nevão que tornou o relvado invisível e quase impraticável. Uma equipa conhecida pela forma como tratava bem a bola teve que recorrer ao pontapé para a frente e à fé em Deus, mas estes admiráveis homens das neves (como os descreveu José Alberto Magalhães na edição de então da Dragões) superaram-se.

“Era uma equipa tecnicamente muito evoluída, mas quando era preciso tocar bombo e ir para a guerra, também sabíamos jogar”, sublinhou André, em 2011. Em declarações já no âmbito das celebrações dos 30 anos desta conquista, Fernando Gomes recordou como a comitiva foi surpreendida, quando se levantou para o pequeno-almoço, por um manto de neve que cobria Tóquio e que pôs a hipótese do adiamento em cima da mesa.

“No dia anterior, o plano era jogar em posse e transporte de bola. No dia do jogo isso não era possível e o treinador deu-nos os princípios básicos: um futebol pragmático, objetivo e em que o meio-campo quase não existia, era futebol direto. Lembro-me do Ivic nos dizer para recuarmos as linhas, deixar a bola com eles e depois tentar os contra-ataques”, afirma o bi-Bota de Ouro, que não deixa de assinalar lances de grande recorte técnico, como os protagonizados por Madjer em ambos os golos, o segundo dos quais na execução de um chapéu perfeito (pode ver em baixo o resumo da partida).

Gomes lembra que a “vontade de vencer era grande” e que o presidente Jorge Nuno Pinto da Costa transmitiu ao grupo a sua “confiança”. “Conseguimos, acho que merecemos”, avalia o atual diretor do departamento de scouting. Os jogadores optaram por entrar em campo com camisolas de manga curta para ficar mais leves, visto que a água gelada ensopava qualquer peça, até as luvas, que rapidamente foram postas de parte.

Ao intervalo, vários jogadores – Gomes e Lima Pereira incluídos – tiraram as botas e as meias e aqueceram os pés fazendo fogueiras de algodão com álcool. João Pinto, também na reportagem, não hesita em considerar o encontro como o “maior sacrifício” da sua vida de futebolista. Rui Barros era um dos que já nem “sentia os pés” – se há heróis no futebol, estes 12 têm de estar na lista.

O favoritismo ia para o lado do Peñarol, que chegou ao Japão com três triunfos na prova, um dos quais frente ao Benfica, em 1961. A neve foi um poderoso e surpreendente obstáculo, mas o FC Porto tinha feito o trabalho de casa para minorar os efeitos da enorme deslocação rumo ao Japão: a viagem foi feita em direção a oeste, com uma escala no Alasca, e, nos dias que antecederam a partida, a adaptação ao fuso horário foi sendo feita no Porto, com treinos de madrugada.

“Sentimo-nos bem, quando chegamos lá”, garante Lima Pereira. Fernando Gomes já não se recorda de muitos pormenores, mas não esquece os treinos a horas inéditas: “Até riamos, porque não era normal, mas a equipa técnica e médica achavam por bem assim e, se era para estar melhor, dissemos ‘vamos a isso’”.

A Taça Intercontinental original está exposta no Museu, isto depois de o FC Porto ter vencido a última edição, frente ao Once Caldas, em 2004. O carro atribuído a Madjer por ter sido considerado o melhor jogador desta final está exposto na FC Porto Store, na entrada do Museu, em cujo Auditório Fernando Sardoeira Pinto é projetado esta quarta-feira o jogo, às 11h00 e 15h00, com entrada livre.

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