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Parte 5 da entrevista a André Villas-Boas: CAR, eleições, relação com as claques, Sérgio Conceição, Diogo Costa e Rodrigo Mora

Na quinta e última parte da entrevista ao Jornal de Notícias, O Jogo e TSF, André Villas-Boas anuncia que o Centro de Alto Rendimento “terá um custo entre os 40 a 50 milhões de euros” e “dificilmente estará concluído até ao final do mandato”. Questionado sobre as eleições de 2028, o presidente afirma que “o FC Porto é mais forte quando está unido” e deixa uma garantia: “Enquanto o meu projeto para o FC Porto, seja ele qual for, for unânime, aqui estarei eu para liderá-lo. A partir do momento em que perceber que deixou de ser unânime, nem sequer me recandidato”.

Desejoso de “conquistar o título 2026/27” e de dar continuidade à “construção de um futuro FC Porto cada vez melhor”, o líder máximo do Clube recorda “uma mudança radical em termos de projeto, de sustentabilidade económica, de relacionamento com a massa associativa”, revela ter “uma relação muito estreita e direta com os Grupos Organizados de Adeptos” e fala sobre Sérgio Conceição, que “gostava muito de receber no centro do relvado, com o estádio cheio a aplaudir um treinador histórico do FC Porto”.

Questionado sobre a situação do capitão da equipa Campeã Nacional, André Villas-Boas assegura que “Diogo Costa é o futuro do Clube” e reforça a vontade de “vê-lo entrar em campo com a camisola 2 para o ano”. “O objetivo é manter a base e mexer o mínimo possível na base em que estão os melhores jogadores do FC Porto”, sendo que é necessário “continuar a pagar salários aos jogadores e aos funcionários, cumprir as responsabilidades e cobrir um mercado de transferências de 100 milhões de euros do ano passado”.

O novo Centro de Alto Rendimento
“Foi um processo longo e difícil, sobretudo pela falta de capacidade económica do FC Porto de autossustentar um projeto destes. O nosso desafio é escolher qual é o veículo financeiro pelo qual o FC Porto vai optar para construir o CAR. O FC Porto pagou com o seu próprio capital a compra do terreno e detém a propriedade do Centro de Alto Rendimento, que não é o caso do CTFD do Olival, onde usufruímos de um direito de superfície, como acontecerá com o Pavilhão Ramalho Ortigão. No caso do Centro de Alto Rendimento, o FC Porto é detentor do terreno e pagou também do seu próprio bolso a movimentação de terras, que tem nove meses pela frente, fruto da inclinação que está associada ao terreno. Depois teremos de optar pelo veículo financeiro mais sustentável para construir um centro de treinos daquela dimensão, que provavelmente terá um custo entre os 40 a 50 milhões de euros, fruto também do aumento dos custos de construção.”

Prazo para a conclusão
“Dificilmente estará concluído até ao final do mandato. Atualmente estamos em campo para escolher esse veículo financeiro e optar da melhor maneira para a sua construção, mas é uma problemática grande para nós.”

Planos para 2028
“O tempo passa rápido. Em dois anos, um título está conquistado, mas restam dois por disputar, sendo que o último apanhará as eleições em abril de 2028, de acordo com os Estatutos do FC Porto. Acho que os sócios votarão pelo trabalho. Eu sempre disse que o presidente do FC Porto deve ser eleito de forma unânime e penso que é isto que une os portistas, que é o sentimento de união. O FC Porto é mais forte quando está unido. Por muito que eu goste de respeitar a democracia, penso que a história do FC Porto obriga a que o seu presidente seja eleito de forma unânime, para que haja uma comunhão em torno do objetivo a atingir, que é o sucesso do FC Porto. Desta forma, enquanto o meu projeto para o FC Porto, seja ele qual for, for unânime, aqui estarei eu para liderá-lo. A partir do momento em que perceber que deixou de ser unânime, nem sequer me recandidato. Antes de ser presidente, sou sócio e sei perceber as dinâmicas que estão associadas à união do FC Porto, portanto jamais me poderia candidatar se visse que não tinha um projeto claramente vencedor. Esta é a minha forma de ver a política associativa do FC Porto, para que haja sustentabilidade e um projeto vencedor no Clube.”

De olhos postos no futuro
“Em primeiro lugar, espero conquistar o título 2026/27 e, a partir daí, ser a base da construção de um futuro FC Porto cada vez melhor.”

Sem esquecer o passado
“O FC Porto agarra-se a este passado, pela construção da sua história e pelo reconhecimento único do Clube que somos e do caráter, da personalidade, dos princípios e dos valores que nos marcam enquanto adeptos. Eu fui marcado por esta geração, pela liderança de Jorge Nuno Pinto da Costa, que teve a duração de 42 anos e eu tenho 48. A minha vida ficou altamente e profundamente marcada por uma liderança única e vencedora. Quero que estes novos sócios que agora chegam, que crescem a 20% ao ano, sejam marcados da mesma forma que eu fui.”

Principais mudanças desde 2024
“Houve uma mudança radical em termos de projeto, de sustentabilidade económica, de relacionamento com a massa associativa, da forma de comunicar com o verdadeiro dono do FC Porto e, talvez, uma visão mais projetada no tempo, fruto da juventude do atual presidente. Acho que foi isso que mudou e foi nisso que os sócios votaram. Há uma nova forma de nos relacionarmos com os associados do FC Porto: mais viva, mais direta, mais frontal e mais honesta, que os honra. Ser sócio do FC Porto e ter um Lugar Anual no Estádio do Dragão custa dinheiro e é caro, por isso é que os sócios também têm de ser recompensados, pela forma como se relacionam com o seu Clube de coração. Isso melhora-se com acessibilidades, serviços, comunicação, benefícios e títulos.”

Luta contra o centralismo
“Não há outra forma de ver as coisas, enquanto houver esta disparidade de tratamento ao FC Porto e esta forma como nos penalizam, como desgostam do FC Porto e dos nossos ativos. É uma cultura muito própria nossa, mas que tem obrigatoriamente de ser sustentada no tempo.”

A relação com as claques
“Existe uma relação muito estreita e direta com os Grupos Organizados de Adeptos. Houve uma revisão profunda do protocolo, que eu gostava de ver lançado e aprovado em sede de Assembleia Geral, mas que penso que já não precisamos desse passo, porque a relação é cordial e frontal. Deixou de haver um desvio de fundos para um dos Grupos Organizados de Adeptos. Isto é claro e factual. O FC Porto perdia cerca de dois milhões de euros por ano, relativamente à bilhética que estava relacionada com um Grupo Organizado de Adeptos e com mais outras problemáticas que estavam relacionadas com algumas Casas. Isso ficou resolvido a partir do momento em que o FC Porto se transformou digitalmente e em que deixou de haver a possibilidade de haver ilícitos relacionados com a bilhética. A partir do momento em que isso deixou de acontecer, a relação com estes grupos passou a ser factual, frontal e honesta. Evidentemente houve uma retaliação relativamente à época 2024/25. Se eu fosse adepto, também a teria feito, não de forma violenta, mas de forma comunicativa sobre objetivos que temos obrigatoriamente de atingir e não atingimos. Se calhar houve pouca tolerância para um ano de transição, absolutamente necessário. Algumas das fragilidades económicas que encontrámos são públicas, mas outras só nós sabemos e foram muitas e duras. O FC Porto, que era um clube que tinha salários em atraso, não incumpriu uma única vez com nenhum dos atletas em nenhuma modalidade e com nenhum dos funcionários em 2025/26. Isto é algo que nos orgulha enquanto gestores e este é o patamar de excelência que queremos atingir no futuro.”

Sérgio Conceição
“Deu os parabéns ao FC Porto, como tinha de ser. O Sérgio ajudou a construir este Museu, é um dos treinadores mais vitoriosos de sempre da história do FC Porto, quer em número como em títulos, e é alguém que está intimamente relacionado com o FC Porto. Eu disse-lhe que não queria que lhe acontecesse o que aconteceu comigo, que foi um distanciamento da instituição enquanto treinador, provavelmente fruto das ambições e do destino de vida que tinha enquanto sócio do FC Porto. A verdade é que isso acabou por acontecer, muito por conta do FC Porto ter escolhido um seu anterior adjunto como treinador principal, em 2024/25 e, na cabeça do treinador Sérgio Conceição, essas coisas estão ligadas ao campo emocional com lealdades e traições. Provavelmente, ele sente que essa escolha o atraiçoou de uma forma desonesta, mas que foi honesta em todos os sentidos e o FC Porto tinha de ser livre nas suas escolhas. Era o que mais faltava se não fosse. No entanto, eu gostava muito de receber o Sérgio Conceição no centro do relvado, com o estádio cheio a aplaudir um treinador histórico do FC Porto. É um convite, mas sei que o próprio não irá aceitar comigo na presidência do FC Porto. Esse é o reconhecimento que ele merece. Acho que é algo que já distinguiu esta presidência, relativamente ao José Mourinho e ao Vítor Pereira, e gostava muito que o Sérgio Conceição tivesse esse momento, tal como o Pepe. Se os próprios entendem que com esta presidência é impossível, então é um problema que lhes corresponde e ao qual eu sou completamente alheio. O meu desejo é esse, gostava que tivéssemos essa oportunidade, mas não sei até que ponto é que será permitido por esta ferida que se abriu relativamente à escolha que o FC Porto fez em 2024/25.”

A estreia lusa no Mundial
“Em primeiro lugar, do ponto de vista desportivo, conta pouco, porque ainda é possível inverter e é possível que Portugal ganhe na mesma o Campeonato do Mundo, alimentando todos os sonhos dos portugueses. Foi uma entrada em falso, como aconteceu com muitas outras seleções apontadas como favoritas, que empataram os primeiros jogos ou venceram com alguma dificuldade. Foi uma exibição fraca, que não esteve à altura desta geração de ouro do futebol português e que nos obrigou a viver uma semana de críticas absurdas e de dúvidas relativamente à qualidade de cada um daqueles jogadores, do ponto de vista individual e coletivo. Tem de haver um enquadramento natural do processo competitivo e acho que isso não está em causa. É altura de repensar estratégias, de ir menos à praia e mais à sala de reuniões. Nessa força de união, Portugal tem todas as condições para se qualificar. Continuamos com ambições desmedidas, porque é uma geração de ouro e porque queremos que o maior talento do futebol mundial e o homem que deu tanto a Portugal saia agarrado ao troféu de Campeão do Mundo, tal como o Messi fez no Catar. É um desejo profundo dos portugueses. O treinador gere como bem entender o tempo de jogo do máximo goleador da história do futebol. A seleção obrigou-nos a esta semana dura de críticas, dúvidas e penalização, mas penso que ainda se vai reencontrar e tem talento suficiente para deixar uma imagem melhor no próximo jogo.”

Dragões nas seleções
“O FC Porto não tem muitos jogadores no Mundial, como bem sabem, fruto do facto de a Polónia e a Dinamarca não se terem qualificado e de a lesão do Samu o impedir de estar no Mundial com a Espanha, que muito nos custa.”

Diogo Costa
“O Diogo é o futuro deste Clube. Quero muito vê-lo entrar em campo com a camisola 2 para o ano. É um dos melhores ativos do FC Porto e tem as suas próprias ambições. Tem uma carreira única e sem paralelo no FC Porto, por isso quer continuar a vencer aqui, e nós ficamos encantados da vida em tê-lo aqui de braçadeira no braço e com o número 2 nas costas a defender a baliza do FC Porto.”

O futuro do capitão
“Não sei se vai cá estar na próxima época, porque é uma decisão tripartida, entre a proposta, a cláusula de rescisão e a possibilidade de o atleta chegar a acordo com outro clube. Não posso dizer que o Diogo Costa não é um dos ativos mais assediados que nós temos. Contudo, as minhas intenções enquanto presidente e associado do FC Porto são que toda esta magia mítica e muito Porto se mantenham.”

Rodrigo Mora
“O nosso objetivo é manter a base, não desligando da sustentabilidade económico-financeira e das responsabilidades do FC Porto para 2026/27. É evidente que existe uma necessidade de fazermos transferências para termos dinheiro e operarmos as nossas responsabilidades. Posto isto, o objetivo é manter a base e mexer o mínimo possível na base em que estão os melhores jogadores do FC Porto. Portanto, dentro do possível, vamos defender os melhores ativos, sendo que temos de continuar a pagar salários aos jogadores e aos funcionários, temos de cumprir as nossas responsabilidades e temos de cobrir um mercado de transferências de 100 milhões de euros do ano passado.”

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