Jorge Costa faleceu a 5 de agosto de 2025 e deixou um legado eterno no FC Porto
A família portista chorou a perda de uma das suas maiores referências há precisamente um ano. Jorge Costa, antigo capitão e diretor do futebol profissional do FC Porto, faleceu no dia 5 de agosto de 2025, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. Partiu onde se sentia em casa - no Olival, o quartel-general do futebol portista - ao serviço da instituição que representou durante praticamente toda a vida.
A notícia abalou profundamente o universo portista e o mundo do futebol. Jorge Costa não foi apenas um jogador de exceção. Foi um símbolo. Uma figura que representava o espírito guerreiro, a resiliência, a paixão e a lealdade incondicional ao FC Porto. A sua história confunde-se com a do Clube e a sua imagem com o ADN portista.
Nascido a 14 de outubro de 1971 e criado no Bairro da Pasteleira, no Porto, Jorge Costa deu os primeiros pontapés no FC Foz. Em 1987, chegou ao FC Porto, o clube da família e da sua vida, para integrar os escalões de formação. Sagrou-se Campeão Nacional de juvenis e juniores e, ainda jovem, foi cedido ao FC Penafiel e ao CS Marítimo, para ganhar minutos e experiência como sénior.






O regresso às Antas deu-se na época de 1992/93, depois de ganhar o Mundial de sub-20 pela seleção nacional, feito que anunciava uma geração de ouro. A estreia com a camisola principal do FC Porto aconteceu a 25 de agosto de 1992, sob o comando do brasileiro Carlos Alberto Silva, num jogo frente ao Estoril Praia em que marcou o golo da vitória. Com colegas como Aloísio, Fernando Couto ou Zé Carlos, a concorrência era feroz, mas Jorge Costa não baixou os braços. O espírito combativo que o viria a eternizar começou desde logo a impor-se.
A verdadeira afirmação no onze titular aconteceu com a chegada de António Oliveira ao comando técnico. A partir daí, nunca mais perdeu o lugar. Ganhou-o pela entrega, pela liderança natural, pela capacidade de superação. Ganhou-o pela forma como sentia o Clube.
Carinhosamente apelidado de “Bicho”, Jorge Costa tornou-se a voz de comando em campo e no balneário. Representava, com uma força rara, a essência do FC Porto. Esteve em todos os títulos do inesquecível Penta e foi figura central na reconquista europeia do Clube que culminou em algumas das maiores noites da história azul e branca.
Fernando Couto foi o criador da alcunha, revelou, em tempos, o próprio Jorge Costa. Porquê? “O Fernando é que poderia explicar, mas acho que era isso, eu era um animal, era um bicho, era alguém que dava tudo o que tinha dentro do campo”.
Capitaneou a equipa vencedora da Taça UEFA, em maio de 2003, no final de um percurso épico. Um ano depois, ergueu a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen como rosto da alma portista. Ainda em 2004, conquistou a Taça Intercontinental, fechando um ciclo absolutamente notável.






Jorge Costa fez 383 jogos com a camisola do FC Porto, marcou 25 golos e conquistou 21 troféus: oito Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal, cinco Supertaças, uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental. Estes números são, por si só, expressão de um percurso lendário. Mas não dizem tudo. O que Jorge Costa representava não cabe apenas em estatísticas. Está na memória viva dos adeptos. Está nos exemplos deixados. Está na forma como se deu sempre ao Clube.
Também deixou marca ao serviço da seleção. Somou 50 internacionalizações pela equipa principal e foi um dos pilares do título mundial de sub-20, conquistado em 1991, em Lisboa. Ao longo dos anos, representou Portugal em grandes competições internacionais e foi sempre reconhecido pelo seu carácter, consistência e espírito de grupo.
Depois de terminar a carreira como jogador no Standard Liège, em 2006, Jorge Costa iniciou um percurso como treinador. Abraçou projetos ambiciosos e diversos, orientando clubes e seleções em Portugal, na Roménia, na Tunísia, em Chipre, na França, no Gabão e na Índia. Em todas essas experiências levou consigo os valores que “bebeu” no FC Porto: trabalho, exigência, lealdade, entrega total.
Em 2024, o destino trouxe-o novamente para casa. Assumiu o cargo de diretor do futebol profissional do FC Porto, colocando toda a sua experiência e conhecimento ao serviço do presente e do futuro do Clube. Com uma voz firme e ideias claras, Jorge Costa era, novamente, um pilar do balneário. Estava, como sempre, onde precisava de estar.






A 5 de agosto de 2025, após uma manhã de trabalho no Olival, sentiu-se mal e sofreu uma paragem cardiorrespiratória. Apesar da rápida intervenção da equipa médica do FC Porto e do transporte imediato para o Hospital de São João, Jorge Costa não resistiu. A notícia da sua morte provocou uma onda de comoção e pesar, transversal ao país e ao mundo do futebol.
Companheiros de equipa, dirigentes, adversários, instituições, clubes rivais e milhares de adeptos prestaram homenagem a um dos nomes maiores do futebol português. Foram muitos os que se referiram a ele como “um símbolo” ou “uma lenda”. No Estádio do Dragão, a emoção foi sentida por todos. O silêncio, nesse dia, disse tudo.
A história de Jorge Costa não é apenas a de um jogador vitorioso. É a de um homem inteiro. Um portista de corpo e alma. Um líder nato, que honrou sempre o nome do Clube e que deixou um rasto de respeito e admiração por onde passou. A sua memória ficará eternamente ligada ao FC Porto. Pela dedicação incondicional, pela coragem, pelo exemplo.
Foi graças a Homens como Jorge Costa que o FC Porto se tornou grande. Com ele em campo, os Dragões atingiram o topo da Europa e do Mundo. Fora de campo, continuava a ser uma referência viva de portismo. Agora, na ausência, transforma-se em lenda. Há um ano partiu um gigante. Um dos maiores. Mas o nome, a voz e a imagem de capitão ficarão para sempre gravadas na história do Clube.
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