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Guarda-redes da equipa de andebol do FC Porto faleceu aos 32 anos

A 20 de março de 1988, dia em que os adeptos do FC Porto, recém-campeão do mundo, celebravam uma vitória sobre o Vitória de Setúbal para a liga portuguesa, nascia em Havana, a mais de sete mil quilómetros de distância do Estádio das Antas, Alfredo Eduardo Quintana Bravo. Cruzaria o Atlântico 23 anos mais tarde, quando já tinha dois metros e um centímetro de altura e era finalista do curso superior de Cultura Física, para se tornar o primeiro atleta cubano do andebol português e representar o clube que conhecia bem desde 2004, por causa do futebol, e ao qual já achava piada por exibir nos equipamentos o azul e o branco comuns ao Industriales, a equipa de basebol que sempre apoiou.

Em dez anos a viver em Portugal, Alfredo Quintana ganhou muitos jogos e conquistou vários títulos, fez milhares defesas e afirmou-se como um dos melhores guarda-redes do andebol mundial. Mais importante do que isso, não demorou a ser reconhecido pelas qualidades humanas que eram indisfarçáveis e que tocaram todos os que acompanharam o seu percurso e com ele conviveram. A humildade e a extroversão, a simpatia e o respeito. O coração enorme. Foi um homem grande em todas as dimensões.

Identificado pelo diretor-geral do andebol portista, José Magalhães, durante o campeonato Pan-americano de 2010, no Chile, estreou-se pelo FC Porto a 26 de março de 2011, numa receção ao Sporting da Horta. Menos de dois meses depois, era campeão nacional pela quarta vez – já o tinha sido em três ocasiões em Cuba –, a primeira em Portugal. Ao longo de uma década, teve Hugo Laurentino como principal companheiro nas redes azuis e brancas e Ljubomir Obradovic e Magnus Andersson como treinadores que o ajudaram a vencer nove troféus nacionais: seis campeonatos, uma taça, duas supertaças.

Foi distinguido com o Dragão de Ouro de Atleta de Alta Competição em 2014, o ano em que se naturalizou português e estreou pela seleção de Portugal, que representaria ao mais alto nível no Europeu de 2020 e no Mundial de 2021 – em 2009, já tinha participado no Mundial ao serviço de Cuba. Portuense já era desde tempos mais remotos. Por isso, quando tinha saudades de Havana e do mar das Caraíbas, gostava de dar “um passeio até à Foz, para respirar as ondas”. E não escondia que apreciava francesinhas, como um bom tripeiro.

O melhor que lhe aconteceu no Porto, no entanto, não foi o sucesso desportivo ou a integração perfeita numa realidade tão diferente da cubana. Acima de tudo isso, colocou sempre a família que construiu com a Raquel a partir de 2015 e da qual fazia parte a Alicia – que venerava como um “anjo” e uma “princesa” nas redes sociais– desde o verão de 2019.

Com apenas 32 anos de idade, Alfredo Quintana morreu no Hospital de São João, no Porto, a 26 de fevereiro de 2021, quatro dias depois de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória quando se preparava para mais um treino no Dragão Arena.

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