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Jorge Nuno Pinto da Costa invocou o passado, o presente e o futuro do FC Porto na entrega dos Dragões de Ouro 2020/21

Pelo 34.º ano consecutivo, Jorge Nuno Pinto da Costa presidiu aos Dragões de Ouro, histórica cerimónia do clube que lidera há quase quatro décadas e que teve lugar durante a noite desta segunda-feira no Estádio do Dragão. No final de um jantar de coroação dos vencedores que contou apenas com a presença de figuras do universo do FC Porto e respetivos familiares próximos, o presidente portista confidenciou estar a viver um “momento de grande dificuldade e de muita emoção” depois da entrega das 14 estatuetas douradas às personalidades e instituições que mais se destacaram na temporada transata.

No final de um longo e intenso discurso, o líder da instituição tripeira mostrou-se ansioso por responder “no sítio certo à orquestração de certa comunicação social, de calúnia e mentira” contra si e contra o FC Porto. “Estou certo de que vou ter ainda tempo para demonstrar o que sempre fui, o que os meus pais me ensinaram a ser: uma pessoa séria, honrada, sem ter nada que se lhe diga”, acrescentou Pinto da Costa, antes de se despedir com uma mensagem de esperança para os tempos que se avizinham: “A vossa presença é garantia de que o futuro vai estar sempre coberto de qualquer contratempo. Contamos com todos vós”.

Deus quis em abril de 1982
“Meus queridos e nobres Dragões de Ouro. É, para mim, um momento de grande dificuldade e de muita emoção. Não vou fazer nenhum discurso. Vou deixar que saia da minha alma e coração aquilo que sinto perante vós. No seu livro “Mensagem”, num poema intitulado “O Infante”, Fernando Pessoa inicia-o dizendo “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Deus quis, contra as minhas opções e ambições que, no dia 23 de abril de 1982, que eu me transformasse no 31.º presidente do FC Porto. Então, o homem que foi escolhido para tal, sonhou.”

Os sonhos do homem eleito
“Sonhou que este clube havia de ser campeão nacional em todas as modalidades, que este clube havia de ir a uma final europeia, que este clube havia de ter um centro de treinos, que este clube havia de ter um pavilhão gimnodesportivo, que este clube havia de ter um estádio, que este clube havia de ter o mais belo museu de clubes do mundo… e sonhou, também, que quando terminasse o seu mandato ou, eventualmente, os seus mandatos, deixasse um clube em que todos estivessem unidos não à minha volta, mas à volta do símbolo do FC Porto. E a obra nasceu.”

O nascimento de uma obra única
“Nasceu porque tive, ao longo destes quase quarenta anos, gente de inexcedível paixão pelo clube, de extrema lealdade e de grande empenho no trabalho. Permitam-me que, muito sentidamente, invoque aqui aqueles que em abril de 1982 partiram para uma grande aventura e risco assumindo o seu papel na minha primeira direção do FC Porto. Infelizmente vou invocar com grande saudade e amizade os que já não estão entre nós. O doutor Sardoeira Pinto, o Manuel Borges, o Pôncio Monteiro, o Rui Batista, o Carlos Lamas Pacheco, o Armando Pimentel, o Fernando Vasconcelos, o António Fortes, o Jorge Freitas, o Fausto Silva, o Abílio Lemos. Todos eles foram muito importantes e hoje não queria deixar de os evocar aqui.”

Pioneiros na luta pelo FC Porto
“Ao longo destes anos foram tantos os que me impressionaram com o seu extraordinário trabalho que, em 1985, resolvemos criar um galardão especial para os que mais se distinguissem nas diversas atividades. No dia 16 de janeiro de 1986 fizemos, pela primeira vez, a entrega a doze galardoados. Ano após ano fizemos a escolha dos melhores. Entregámos os troféus convictos de que os entregámos a quem os merecia. Hoje, passados tantos anos, foi uma felicidade para mim ter podido entregar a um leque de exceção os 14 galardões que aqui hoje foram entregues.”

Os vencedores, parte 1
“O Dragão de Ouro para a Casa de Seia foi de elementar justiça e, por isso, foi com grande prazer que o entreguei hoje ao Nuno Oliveira. O Quadro do Ano foi entregue a Tiago Gouveia e sou testemunha de que ele sonha e acorda a pensar em como pode melhorar a imagem do FC Porto. O Atleta Amador do Ano foi entregue à Joana Resende, que personifica o verdadeiro atleta à Porto, que tem uma alegria um entusiasmo contagiante que galvaniza tudo e todos e um sentido de companheirismo extraordinário. O Rui Silva é um grande atleta, é óbvio, mas é também um homem com H grande. No meio de uma equipa de grandes campeões ele sobressai como o motor de arranque para a vitória quando as coisas não correm bem. O Umaro Candé mostrou aqui, na sua juventude, um grande entusiasmo e crença nas suas qualidades quando disse que este troféu pode ser o primeiro de muitos. Costumo dizer ao Francisco Conceição que ele é meu sobrinho, porque para mim o pai dele é como um irmão mais novo. Mas não foi por isso que foi eleito para este troféu, o seu pai só soube depois de lhe ter sido atribuído. Com 17 anos apresentou uma desenvoltura e empenho na luta pelas vitórias que fez dele o mais jovem jogador a atuar na Liga dos Campeões.”

Os vencedores, parte 2
“O Sérgio Oliveira está no FC Porto há vinte anos, creio que veio para aqui de berço. Tem uma carreira excelente, fez uma época que justifica plenamente a atribuição deste troféu. Um dia, Sérgio, quando terminares a tua carreira e fizeres uma retrospetiva vais-te lembrar de 2020/21 como um ano especial que nunca esqueceremos porque contribuíste para grandes vitórias. Estou certo de que nem a Juventus se há-de esquecer. O Atleta do Ano, Amaro Antunes. Que orgulho tenho em saber que um algarvio de nascença é portista de coração. Há anos que é um embaixador itinerante do FC Porto de Norte a Sul, que eleva o nome e o símbolo do FC Porto. O Treinador do Ano foi entregue ao galego mais portuense que existe como reconhecimento da sua paixão por um clube, uma cidade e uma região. Foi entregue a Moncho López, que já dirigiu mais de 500 jogos à frente da nossa equipa de basquetebol. Venceu o Dragão de Ouro não só por isso, mas porque no ano passado foi campeão nacional. Foi campeão nacional até dez segundos do fim, enquanto decorreu o campeonato da verdade. Quando disseram “basta, agora vamos aldrabar isto tudo”, retiraram-lhe o título.”

Os vencedores, parte 3
“O Dragão de Sócio do Ano foi entregue ao senhor João Carvalho, que trabalha graciosamente para a nossa natação a formar campeões há mais de vinte anos. Foi merecido, mas quero que sintam que este troféu também é de todos, e são muitos, que anonima e desinteressadamente desempenham o mesmo papel noutras secções. O prémio Carreira do Ano foi recebido pelo doutor António Sousa, médico do hóquei em patins que teve aqui uma pequena falha, porque se esqueceu que, há 62 anos, eu fui chefe da secção. Mas, como ele ainda não existia, está perdoado. Nunca deixou de estar disponível para o FC Porto, para qualquer atleta de qualquer modalidade, para mim é um orgulho ter-lhe entregue este Dragão de Ouro. O Dirigente do Ano foi entregue ao filho que eu não sabia ter, ao meu querido Fernando Gomes, que no dia 17 de janeiro de 1986 recebeu o primeiro Dragão de Ouro na primeira edição das galas do FC Porto. Ele nasceu no FC Porto, ganhou tudo o que havia para ganhar no FC Porto. Hoje, Fernando, sinto uma grande satisfação e orgulho por integrares a extraordinária equipa que lidera o FC Porto. O Parceiro do Ano entregámos com todo o gosto ao senhor Cristiano Faria e tem um significado enorme para mim. Foi a primeira vez que o FC Porto recorreu a um banco internacional e foi o FC Porto o primeiro cliente estrangeiro que o IBB teve na sua atividade. Quando o FC Porto precisava urgentemente de auxílio a nossa banca e os nossos gestores bancários fecharam a porta ao FC Porto. Nós nunca esqueceremos que foram vocês que disseram presente na hora própria. Muito obrigado.”

Eterna saudade
“O nosso querido Reinaldo Teles… não é preciso eu falar dele, nem eu tenho condições para poder falar dele aqui. É o amigo que todos gostámos de ter, é o amigo que todos gostariam de ter. Só vos queria dizer, Maria João e Reinaldo, que o vosso pai teve dois amores na vida, duas paixões verdadeiras: o FC Porto, vocês os dois e a vossa mãe, a dona Lurdes. Termino da maneira como comecei, parafraseando Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Eu penso que Deus quer que não esteja durante muito mais tempo a cumprir a missão que me destinou. Mas eu sonho, continuo a sonhar que ainda vou poder ser útil ao FC Porto por mais algum tempo. Continuo a sonhar, e tenho a certeza de que Deus mo permitirá, que poderei provar no sítio certo que a orquestração de certa comunicação social, de calúnia e mentira para me afrontar a mim, ao FC Porto e aos meus amigos… estou certo de que vou ter ainda tempo para demonstrar o que sempre fui, o que os meus pais me ensinaram a ser, uma pessoa séria, honrada, sem ter nada que se lhe diga. A obra continuará a crescer sempre. Comigo, com quem vier e com quem voltar a vir, porque o FC Porto é eterno. O FC Porto tem, no conjunto de Dragões de Ouro que aqui apresentou, uma qualidade fantástica. A vossa presença é garantia de que o futuro vai estar sempre coberto de qualquer contratempo. Contamos com todos vós, contamos com o D. Américo Aguiar na terra e contamos com o D. António Francisco no céu. Muito obrigado.”

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