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Diogo Costa lembra que “o Porto nasceu do sofrimento, em contraste com a capital” numa entrevista ao The Athletic

Diogo Costa é o capitão de “uma equipa da classe trabalhadora” que “para ganhar sempre precisou de correr mais, de trabalhar mais e de se esforçar mais do que os adversários”. Em entrevista ao The Athletic, a editoria desportiva do The New York Times, o guarda-redes do FC Porto confessa estar a viver “um sonho tornado realidade” e recorda que na Invicta só a chuva cai do céu: “O Porto nasceu do sofrimento, em contraste com a capital, e, para se ganhar, costumamos dizer que a qualidade não chega”.

Acabado de renovar contrato até 2030, Diogo Costa garante que será “extremamente feliz se acabar a carreira no FC Porto” e que “o foco é ser melhor todos os dias”, porque “o melhor de cada um vai ser sempre o melhor para a equipa”. O guardião para quem “a atitude é sempre um elemento muito importante para se defender bem” constata que “não sofrendo golos está-se sempre mais perto de ganhar” e deixa palavras elogiosas a Francesco Farioli: “Com a vinda do novo treinador, e também com a mudança de alguns jogadores, passámos a representar bem o que é ser uma equipa, que era o que o FC Porto estava a precisar”.

O futuro próximo
“Estamos muito confiantes, porque nós sempre acreditamos no trabalho desde o início. O mister já falou disso várias vezes, quando disse que nós somos uma equipa da classe trabalhadora. Isso é o mais importante e é isso que nos pode levar ao sucesso. Estamos confiantes porque temos feito esse trabalho bem feito e queremos fazê-lo melhor, seja em termos táticos ou em termos da evolução de cada jogador. Esse é o caminho para se ter confiança e sucesso.”

A identidade nortenha
“O FC Porto para ganhar sempre precisou de correr mais, de trabalhar mais e de se esforçar mais do que os adversários. Queremos manter essa identidade, porque é uma identidade muito boa e é o melhor para a evolução de cada jogador, porque, como todos sabem, se nós estivermos bem e a evoluir, isso será sempre bom para o coletivo. É isso que procuramos, sabemos que o mais importante é sempre o coletivo e sabemos que nunca conseguiremos ganhar nada sozinhos, precisamos sempre da ajuda dos nossos colegas. Em todos os jogos que fizemos até agora corremos sempre mais do que os adversários, temos sempre mais três, quatro, cinco ou seis quilómetros a mais que a equipa adversária.”

Clube e cidade
“Esta é a identidade do Clube e da cidade. O Porto nasceu do sofrimento, em contraste com a capital, e, para se ganhar, costumamos dizer que a qualidade não chega. É preciso querer mais do que os outros e essa identidade já existe desde que o Porto existe.”

O registo defensivo
“É um orgulho muito grande. Quando falam das clean sheets referem-se sempre aos guarda-redes, mas é um trabalho coletivo. Basta pensar na época passada, em que fomos a segunda equipa menos batida e, mesmo assim, as coisas não correram bem. Tal como eu te disse, é um trabalho coletivo. O melhor de cada um vai ser sempre o melhor para a equipa. É isso que nós procuramos, não sofrer golos dá-nos uma confiança acrescida, não só a mim mas também à equipa, e os adversários sabem que essa é uma das nossas forças. Isso também tem muito a ver com a nossa identidade e com o que é o FC Porto, porque a atitude é sempre um elemento muito importante para se defender.”

Balneário em sintonia
“O nosso objetivo é ganhar sempre. Festejamos as defesas e os cortes dos nossos colegas porque sabemos que não sofrendo golos estaremos sempre mais perto de ganhar. Marcar golos é como se fosse a cereja no topo do bolo, é finalizar bem para que as coisas corram bem. Isso é fundamental. Com a vinda deste treinador, e também com a mudança de alguns jogadores, passámos a representar bem o que é ser uma equipa, que era o que o FC Porto estava a precisar.”

A chegada de Thiago Silva
“Acima de tudo trouxe muita aura. Receber um jogador como o Thiago, que é tão titulado, é um prazer enorme. É um prazer enorme poder partilhar o balneário com ele e jogar com ele. Treinando com ele todos os dias conhecemos a sua qualidade e vemos que realmente tem características muito interessantes. Nesta idade dá para perceber o pormenor tão limado, que é bonito de se ver. Agora sabemos porque é que ele ganhou tantos títulos e sabemos porque é que é o Thiago Silva. Acho que para todos nós, e para o Clube, é um prazer enorme tê-lo na nossa equipa.”

O currículo do número 3
“É pelos títulos, pela sua carreira, por aquilo que sabemos que o Thiago representa, aquilo que ele é enquanto jogador e, tal como disse, é um prazer enorme poder partilhar o balneário com ele. Acima de tudo, é importante que ele seja mais um para nos ajudar a ganhar títulos.”

De capitão para capitão
“Temos de estar sempre dispostos a aprender e a ajudar os nossos colegas e, com o Thiago, eu tenho de aprender e retirar as melhores características dele para poder melhorar a minha liderança. É uma tranquilidade ter jogadores como o Thiago a ajudar-me na liderança, porque para ser uma boa equipa e para se ganhar títulos é preciso ter grandes líderes, não só o capitão. Isso tem de partir de cada um dos jogadores. Ter essa personalidade, essa liderança, essa maturidade de querer evoluir e de querer o melhor para a equipa. Para mim e para os meus colegas é um prazer. É o Thiago Silva e nunca pensámos que ele voltasse ao FC Porto nesta fase da carreira. Foi uma grande surpresa, mas estamos muito felizes por tê-lo cá.”

Fazer toda a carreira no FC Porto?
“Cheguei aqui muito menino, com 13 anos acabados de fazer. Todos temos o sonho de poder jogar na equipa principal e de representar o FC Porto. Vemos tantos ídolos que passaram pelo Clube e sonhamos representar o Clube da forma que eles representaram. Eu venho de uma família que é portista, por isso toda a gente consegue imaginar o que é jogar pelo meu Clube. Existe uma ligação emocional muito mais forte e um grande orgulho. Todos temos o sonho de ser jogadores do FC Porto, mas também sabemos que muito poucos chegam lá. Jogar aqui e ainda por cima enquanto capitão, algo que nunca imaginei ser tão cedo… estou muito grato ao FC Porto por tudo o que me ensinou como jogador e como homem. Já admiti que se tivesse de jogar aqui durante toda a minha carreira seria extremamente feliz, por isso este é um sonho tornado realidade.”

A cláusula de rescisão
“É apenas uma parte do contrato e foi o acordo a que chegámos. Acabei de renovar e serei feliz todos os dias se acabar a minha carreira cá. Todos os anos há sempre quem pense se eu vou ficar ou sair, mas isso faz parte da vida de um profissional de futebol.”

Interesse inglês?
“Toda a gente sabe que a Premier League é a melhor, ou uma das melhores, ligas do mundo. Se perguntarem a todos os jogadores no mundo se gostariam de jogar na Premier League, acho que não há nenhum que não gostasse. Mas, tal como já disse, acabei de renovar e estou extremamente feliz. É um sonho tornado realidade e como vim de uma família portista estarei sempre feliz aqui.”

O futebol de Farioli
“Naquilo que eu faço dentro das quatro linhas acho que não mudou muito, a base não mudou muito. Existe um estilo de jogo, principalmente em posse, e cada treinador tem a sua forma de ver a tática, de criar essas oportunidades ofensivas, e este é o seu estilo. Acho que dá para perceber que mudámos em todas as posições, mas ele já foi treinador de guarda-redes e gostamos de discutir o que é que é melhor ou pior. De um modo geral, não mudou muita coisa, há apenas uma nova forma de jogar, que é a do mister.”

Todos no mesmo barco
“Seja com o mister Farioli ou com o outro treinador, a minha forma de ser vai ser sempre a mesma. Vou sempre procurar melhorar e aperfeiçoar aspetos. Quando há algum assunto que queremos discutir e partilhar opiniões, sei que estou a falar com uma pessoa que percebe do assunto. Sei o que é preciso fazer para encaixar nas suas ideias e sei o que ele pede para fazermos no campo. Tem de haver esse respeito. Apesar de eu ser capitão, ele é o nosso líder e temos de respeitar as suas indicações. Se fizermos tudo o que ele pede ficaremos sempre muito mais perto de ganhar, porque estamos todos no mesmo barco. Isso é que realmente importa, trabalharmos sobre as ideias que acreditamos que possam funcionar.”

A vida de um guarda-redes
“Todos os jogos são stressantes, o stress e a pressão vão sempre existir. É isso que sente quem quer ser sempre melhor. Estamos sempre à procura de aperfeiçoar, é algo que faz parte do desporto e de um clube grande que quer ganhar todos os jogos. Mas, acima de tudo, é algo pessoal. Queremos sempre ser melhores todos os dias.”

O guarda-redes moderno
“Quando cheguei cá, ainda muito novo, já se fazia treino de jogo de pés. Lembro-me do Wil Coort, que na altura era o treinador de guarda-redes da equipa A, juntamente com o Daniel Correia, havia um dia por semana em que treinávamos muito os aspetos técnicos, não só o jogo de pés ou a técnica de queda, sempre à procura de fazer melhor e de aperfeiçoar. Aos 13 anos ensinaram-me a jogar com o pé direito e com o esquerdo, no FC Porto sempre tive treinadores que me ensinaram que me ajudaram a ser melhor. A nível tático, hoje em dia, o guarda-redes tem muito mais influência, porque, dependendo da equipa adversária, há certas equipas em que o guarda-redes garante a superioridade no jogo de pés e, por isso, é muito solicitado. No FC Porto sempre houve essa preocupação de ter jogo de pés, mas agora é mais do que isso. Não é só preciso saber bater de pé direito e de pé esquerdo. É preciso fazer a leitura do jogo e saber o que o jogo está a pedir. Tenho de pensar o que é que o meu colega pode fazer depois de eu lhe passar a bola. Também há que respeitar as ideias de jogo do treinador. Muitas pessoas dizem que eu jogo bem com os pés, mas eu tenho muita preocupação em ser bom também nos remates, nos cruzamentos e no controlo da profundidade. Tento ser o mais complexo possível, mas somos guarda-redes e a nossa maior preocupação é sempre a baliza.”

O futuro entre os postes
“Eu acho que sou guarda-redes por alguma razão. No futuro teremos de nos adaptar, tal como agora também temos que nos adaptar às modernices. Eu sempre me preocupei em ser bom a fazer tudo o que o jogo pede e é nisso que vou estar sempre focado, em treinar.”

Sempre a crescer
“Eu tenho essa sensação e acho que vou continuar a tê-la mesmo quando já não estiver no meu melhor. O meu foco é ser melhor todos os dias. Eu nunca penso que já tenho o suficiente para ser o guarda-redes do FC Porto ou da seleção nacional. O meu foco está sempre em querer melhorar e aperfeiçoar aspetos de guarda-redes. Não há muito mais a dizer, o meu foco está em treinar e em melhorar. Isso é sempre o que mais importa.”

Especialista em penáltis
“Agora tenho 26 anos, mas entre os 18, 19, 20 ou 21 isso era algo que eu treinava. Quando treinamos defender penáltis, seja a técnica da queda, a forma como atacas a bola ou as estratégias para poder ser o mais explosivo possível… tudo isso tem um treino por trás. Hoje em dia isso é algo que eu não gosto muito de trabalhar, porque os jogadores com que eu treino não são os jogadores que eu vou apanhar no jogo. Acho que essa técnica de atacar a bola, de queda e de ser o mais explosivo possível é algo que já se trabalha todos os dias, é quase como o pequeno-almoço, e eu como sempre quase a mesma coisa ao pequeno-almoço. Não é algo que eu goste muito de trabalhar nos treinos, porque no jogo é diferente. Com a pouca experiência que tenho fui-me apercebendo que há um treino por trás, mas no jogo é muito instinto também. A leitura da forma como o batedor corre para a bola, ver vídeos, as alterações na corrida tendo em conta o lado que ele escolha... isso tem mais influência do que treinar penáltis todos os dias. Há uma característica muito importante também, que é o nosso instinto. Saber cheirar, como se diz no futebol, saber o que o jogador vai fazer… isso não é algo que eu goste de treinar todos os dias.”

Trabalho de casa
“Às vezes vemos tantos vídeos que, por vezes, isso até nos prejudica. Às vezes estamos à espera de um comportamento habitual, mas também temos de saber que o jogador sabe que nós o vamos ver. Isso é que torna o futebol interessante, porque tanto podemos ser muito previsíveis como muito imprevisíveis. Nos penáltis da Liga das Nações eu desenhei uma estratégia por causa do que me aconteceu no passado. Quis ir sempre para o mesmo lado, porque quando defendi os penáltis contra a Eslovénia, e eu defendi três, tanto fui para a esquerda como para a direita, quase como se já soubesse para onde a bola ia. Temos de saber que os outros também nos veem. Tenho a certeza que os jogadores da Espanha estiveram a ver como é que eu defendia penáltis, por isso é preciso ter uma estratégia. Esse lado tático é muito importante no futebol.”

Cábulas nas garrafas?
“Eu prefiro não ter nada, mas isso é algo muito pessoal. Conheço guarda-redes que levam sempre levam esses exemplos. Já disse ao nosso treinador de guarda-redes, o Iñaki (Ulloa), mas ele mesmo assim faz. Eu nunca levo para a baliza, gosto muito de sentir o jogo. Gosto de sentir o que o jogador me está a dizer com a sua linguagem corporal, gosto muito de ver através dos olhos do jogador e também consigo decorar as suas ações de penálti.”

Olho de lince
“Sempre fui uma pessoa muito observadora e acho que é por isso que tenho o instinto mais apurado. Sempre fui uma pessoa muito observadora, sempre procurei perceber o que poderia aprender com cada jogador que apanhei nos meus treinos e com os guarda-redes. Sempre quis perceber o que é que eu posso aprender com cada um deles, com grandes lendas, e hoje em dia aprendo com alguns que considero muito bons. Mesmo alguns que passam despercebidos, cada um tem a sua característica muito forte e sempre tive essa capacidade de observar, de querer aprender e de saber o que estou a ver para ser melhor.”

O nível da Liga Portuguesa
“Há muitos jogadores que vão para a Premier League, para a Liga Espanhola, para a Liga Alemã e, de modo geral, dão-se sempre bem. Aí já dá para ver o nível da Liga Portuguesa, e ainda temos o exemplo dos treinadores portugueses. Nós, os portugueses, somos um povo que percebe bem o que é o futebol, temos esse orgulho e esse jeito para o futebol. Na seleção portuguesa qualidade não falta e esses são os indicadores que fazem da Liga Portuguesa uma boa liga.”

Talento nacional
“O que eu quero é ganhar e, para ganhar, quero sempre ter os melhores comigo. Acho que isso é normal. Toda a gente sabe que a Liga Portuguesa não é como a Premier League a nível financeiro, por isso vemos tantos jovens a sair muito cedo de Portugal. Obviamente que eu gostaria de ainda ter o Vitinha no FC Porto, e posso dar inúmeros outros exemplos. Acho que é por essa capacidade financeira, que não está ao nível da Premier League ou de outras ligas, que não conseguimos segurar os melhores.”

A realidade financeira
“Desde a adolescência que existe esse trabalho psicológico e cedo nos mentalizamos de que a vida de futebolista é muito oscilante. Todos os anos existe a dúvida se fico ou saio. Hoje em dia, ser jogador é estar preparado para esses momentos, para nunca ficarmos só num clube. No meu caso pode acontecer, mas o que hoje vemos mais é jogadores a sair.”

Ainda os cantos contra o Arsenal
“Nós vemos inúmeros vídeos, não só de jogadores, mas também a nível coletivo. Vimos como eram os cantos do Arsenal e trabalhámos para lhes não dar sucesso nesse aspeto. No primeiro caso passava muito por libertarem os jogadores, não vou dizer mesmo o que é, porque isso implicaria meter-me no trabalho dos outros treinadores, mas a nossa principal preocupação foi afastar o máximo de gente da minha beira para que eu pudesse sair à bola. Hoje em dia vemos muitos jogadores a bloquearem os guarda-redes porque é uma arma. Nós conseguimos saltar, os guarda-redes são altos, mas passou por aí, por tentarem libertar-me para me darem espaço e para eu poder intervir mais.”

Bloqueios aos guarda-redes
“Em muitos momentos é um exagero e não se marca falta porque é a Premier League. Há lances em que é realmente um exagero, mas pronto, é o que é, temos de estar preparados para nos adaptar e para crescer nisso.”

O Mundial 2026
“A nossa expectativa, tal como a de todos os portugueses, e até mesmo a nível global, todos sabem que a seleção portuguesa é candidata a ganhar. Qualidade não falta, mas obviamente temos essa expectativa alta, temos essa exigência de ganhar o Mundial, não apenas pela qualidade, mas também pelo lado muito sentimental. Depois do que aconteceu com o Diogo Jota e o seu irmão também queremos muito honrá-los ganhando esse título.”

A morte de Diogo Jota
“Ainda é algo difícil de falar. Quando falamos do Diogo, falamos das excelentes memórias que temos dele como pessoa e como jogador. É um assunto difícil, não é muito falado, mas é algo que é muito sentido por todos. O Diogo Jota era um jogador com estatísticas muito boas, mas, enquanto pessoa, era uma daquelas pessoas de que toda a gente gosta dentro do balneário, pela sua personalidade e pela sua maneira de ser. Isso é o que nos marca mais, a sua personalidade e o seu carácter. Não é algo de que falemos muito, mas é algo que sentimos muito e queremos honrá-lo. Tenho certeza de que ele vai estar no nosso balneário e espero que ele nos ajude, lá de cima, a tornar esse sonho realidade.”

O trabalho de Roberto Martínez
“Trouxe novas ideias e trouxe um jogo moderno. Acima de tudo, é um treinador que conhece os jogos que tem e sabe o que pode fazer, dentro da sua ideia de jogo, para que cada um de nós possa sobressair ao máximo. E nós, os jogadores, estamos muito felizes por trabalhar com ele e já temos um título ganho em conjunto.”

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