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Eliza Turner em entrevista ao jornal O Jogo

“Fazer parte de um clube tão incrível, com tanta história e com uma cultura tão boa é muito importante” para Eliza Turner, uma norte-americana rendida ao FC Porto, emblema que “está a impulsionar o desporto feminino” e que tem tentado “fazer algo muito especial no futebol feminino”.

Fã assumida do “estilo de jogo de Victor Froholdt”, a média de 23 anos confessa que já aprendeu “muito sobre posicionamento sem bola” desde que chegou à Invicta e reconhece que se tornou “uma jogadora mais focada na vertente física”. Determinada a “evoluir no último terço”, a camisola 12 conta com a ajuda de um treinador que “dá bons conselhos” para aprender “a decidir melhor quando rematar e cruzar”. 

Em entrevista ao jornal O Jogo, Eliza Turner não esconde a admiração por “um desporto que é feito de altos e baixos” e assegura que “é nos momentos baixos que se cresce individualmente e como equipa”. “O facto de trabalharmos em grupo e de sermos capazes de resolver problemas todos juntos apaixona-me”, confidenciou a centrocampista para quem “a cultura de equipa” vivida no balneário é “um dos maiores motivos para o sucesso” do FC Porto na Segunda Divisão feminina. 

Paixão pelo desporto-rei
“Comecei a jogar com quatro anos. O meu pai era treinador e também jogou, o futebol sempre foi uma grande parte da minha vida. Adoro o futebol e ver como o desporto é feito de altos e baixos.”

Altos e baixos
“Acho que é nos momentos baixos que crescemos individualmente e como equipa. Se trabalharmos com as nossas companheiras de equipa e com os treinadores, conseguimos ultrapassar os momentos baixos e passar para os altos.”

A união faz a força
“O facto de trabalharmos em equipa e de sermos capazes de resolver problemas todos juntos apaixona-me.”

Referências no futebol
“O Victor Froholdt. Estar no mesmo clube do que ele e poder vê-lo a jogar tão de perto é incrível, aprecio muito o estilo de jogo dele. Trabalha muito bem defensivamente, ganha muitos duelos e dá muito à equipa. No feminino, gosto muito da Rose Lavelle e da Sam Coffey.”

A adaptação ao Clube
“Tem corrido muito bem. Estou longe da minha família, mas tenho uma grande rede de apoio. Comecei a ter aulas de português e já sei dizer algumas coisas. Também já conheci várias partes da cidade e adoro.”

As famosas francesinhas
“Ainda não provei, mas já me disseram que tenho de experimentar no final da época.”

Trabalhar com Daniel Chaves
“Tem sido ótimo. Acho que o mister construiu uma cultura de equipa muito boa e confiamos imenso nele taticamente e tecnicamente. Os treinadores trabalham muito bem juntos e connosco. Isso faz parte da nossa identidade e é um dos motivos do nosso sucesso.”

Os conselhos do treinador
“Dá conselhos muito bons e, durante o jogo, dá-nos bastantes indicações. Está constantemente a mudar coisas, a dizer-nos para onde nos podemos mover e a fazer pequenos ajustes que fazem uma grande diferença.”

Choques culturais
“Acho que uma das maiores diferenças entre o futebol em Portugal e nos Estados Unidos são os movimentos táticos sem bola. Ainda estou a aprender. Estou a jogar numa posição nova e o mister já me ensinou muito sobre posicionamento sem bola e como criar espaço para mim e para as minhas companheiras de equipa.”

Autorretrato
“Em Portugal tornei-me uma jogadora mais focada na vertente física, em ganhar duelos e em sair com a bola do meio-campo, mantendo a posse e progredindo para a frente. Agora quero melhorar as decisões no último terço e estou a trabalhar nisso, em decidir quando rematar, quando cruzar e em perceber como melhorar essa parte final.”

Rendida ao FC Porto
“Assim que ouvi falar da oportunidade, da cultura e da história que o Clube estava a tentar construir, foi uma escolha bastante fácil. O que o FC Porto está a tentar fazer no futebol feminino é algo muito especial. Começar na Terceira Divisão e estar na Segunda um ano depois... creio que o FC Porto está a impulsionar o desporto feminino. Fazer parte de um clube tão incrível, com tanta história e uma cultura tão boa de dar tudo e de fazer qualquer coisa pelo FC Porto é realmente importante para mim.”

A caminho do Jamor
“Depois da primeira mão das meias-finais, estávamos muito entusiasmadas. Acreditamos sempre que podíamos chegar à final, mas foi um momento simplesmente incrível. Estamos mesmo focadas jogo a jogo. Obviamente que a final é muito entusiasmante, mas ainda faltam algumas semanas, por isso estamos mesmo focadas no dia a dia e em melhorar a cada treino. Queremos concentrar-nos num jogo de cada vez.”

O jogo decisivo
“Sempre acreditei que era possível. Durante todo o jogo, sempre tive o sentimento de que, se continuássemos a fazer o que tínhamos treinado e a fazer o que estava a ser feito, íamos sair por cima. Era apenas uma questão de tempo. Por isso, quando a Lily Bryant marcou o golo, foi uma sensação incrível. Só precisávamos de continuar a pressionar e de nos mantermos juntas até ao final. A união foi muito importante.”

Ainda a primeira mão em Guimarães
“Acho que nesse jogo aprendemos muito sobre nós enquanto equipa e percebemos que conseguimos ultrapassar qualquer obstáculo desde que nos mantenhamos positivas e unidas. Estar a perder 2-0 ao intervalo nunca é fácil e voltar tão tarde no jogo ensinou-nos muito sobre nós próprias. Aprendemos que conseguimos ultrapassar muitas coisas.”

O clássico na final
“Claro que, no fundo, pensamos na final, mas acho que temos de nos focar no nosso principal objetivo, que é a subida de divisão. Por isso é mesmo preciso pensar num jogo de cada vez. Temos um jogo por semana e temos de nos concentrar em cada um. Estamos à espera de um jogo difícil e estamos muito entusiasmadas, mas, por agora, vamos manter a concentração no dia a dia.”

Chave para o sucesso
“Acho que é a nossa mentalidade de entrar em cada jogo a pensar que temos de dar tudo. Cada jogo importa tanto quanto o anterior e o seguinte, e temos de pensar num desafio de cada vez. Se pensarmos demasiado à frente, é dificil dar tudo em cada partida. Quando entramos, não importa se achamos que somos a melhor equipa ou a menos favorita, se entrarmos em cada jogo da mesma forma, confiarmos que treinámos bem e nos focarmos na nossa identidade, então teremos sucesso, tal como temos tido.”

Com a subida de divisão na mira
“Acredito que estamos no caminho certo.”

Balanço da temporada
“Estou muito feliz com a nossa época até agora. Acho que uma das coisas mais impressionantes é o quanto conseguimos melhorar a cada semana. Podemos ter uma grande vitória e achar que estamos no pico, mas continuamos sempre a melhorar. É disso que mais me orgulho.”

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