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José Luís Ferreira dá voz ao “desejo de chegar a uma final four europeia” em entrevista à revista Dragões

Vinte anos, muita história já escrita e tanta ainda por escrever, sempre com o FC Porto no coração. A ascensão meteórica de José Luís Ferreira trouxe-o à ribalta do andebol nacional, permitiu-lhe sagrar-se campeão antes de atingir a maioridade e partilhar os maiores palcos a nível mundial com estrelas da modalidade. Contagiado pela “exigência enorme” do Clube, o ponta direita não quer ficar por aqui e promete “trabalhar a 200% todos os dias” para cumprir “os desejos de ser campeão nacional a jogar regularmente e de chegar a uma final four europeia”.

Já se sagrou vice-campeão europeu de sub-20, vice-campeão mundial de sub-21, campeão nacional e soma dez internacionalizações pela seleção principal, tudo isto aos 20 anos. A que se deve tanto sucesso?
É tudo fruto do trabalho. Dou o máximo todos os dias porque estar no FC Porto é uma exigência enorme. Este clube vive de títulos e eu adoro estar aqui. Vou trabalhar sempre para poder corresponder às expectativas dos adeptos.

Nasceu no Porto e é um portista de gema. Como surgiram os primeiros contactos com o andebol e com o FC Porto?
Não foi fácil. Eu jogava râguebi, tive uma lesão no pé e fiquei parado durante dois meses. A minha professora do infantário dizia que eu era esquerdino e que tinha muito jeito para o andebol, então fui experimentar no Boavista e assim se deu o meu começo na modalidade.

Lembra-se de algum momento que o cativou ainda mais para essas duas paixões?
Os meus pais seguiam muito atentamente as modalidades do FC Porto, eu via sempre com mais entusiasmo o andebol. Adorava ver e isso despertou-me mais interesse.

Quem eram os seus ídolos do clube e da modalidade na adolescência?
O meu ídolo do FC Porto era o António Areia, sempre o tive como uma referência, e fora do clube sempre olhei para o Luc Abalo.

Aos 10 anos era mini no Boavista, aos 11 já jogava nos sub-14, aos 12 estava nos sub-16 da Académica de São Mamede, aos 13 chegou ao clube do coração, aos 14 alinhava nos sub-20 e aos 15 tornou-se sénior. Como é que se deu essa progressão tão rápida?
Principalmente pela minha paixão pelo andebol. Amo jogar andebol, é a minha vida. Entrar em todos os treinos para dar tudo e ver o trabalho a ser recompensado é muito gratificante.

Sempre jogou na ponta direita?
Quando comecei no Boavista, jogava a lateral direito também, mas desde que vim para o FC Porto que sempre joguei na ponta direita.

Já tinha o objetivo de fazer do andebol a sua profissão nessa altura ou só pensava em crescer e aproveitar o momento?
Quando dei os primeiros passos, no Boavista, não pensava em chegar tão longe, até porque não sabia que era capaz, mas à medida que me mudei para a Académica de São Mamede e para o FC Porto e fui vendo que poderia dar certo, acreditei cada vez mais e agora estou muito feliz aqui.

2022/23 foi uma época memorável. Marcou mais de uma centena de golos na equipa B e estreou-se na equipa principal com 17 anos. Que memórias guarda desse ano e especificamente daquele jogo frente ao Santo Tirso?
Ser chamado à equipa principal pela primeira vez foi um momento inesquecível. Tinha ido a um torneio em França, quando as competições de clubes estavam paradas devido ao Mundial, e também foi muito bom, mas esse primeiro jogo oficial pela equipa A foi extraordinário e vou lembrá-lo para sempre. Ainda me lembro do meu golo e da minha t-shirt no balneário.

Como foi esse primeiro golo?
Estávamos num momento de transição, o Mamadou Diocou, que estava a lateral direito, passou-me a bola e eu coloquei-a junto ao primeiro poste.

O nervosismo era muito?
Muitíssimo. Lembro-me de estar no carro com a minha mãe a ir para o Dragão Arena e dela a tranquilizar-me e a dizer-me que ia jogar bem e que ia marcar golo. Depois passou, porque era aquele nervosismo bom, e no final sentia-me muito bem por ter jogado bem e marcado o meu primeiro golo. Deu-me ainda mais vontade de trabalhar para continuar a ter oportunidades na equipa principal do FC Porto.

Com esses minutos, sagrou-se campeão nacional. Que significado teve esse primeiro título apesar do pouco tempo de jogo?
Foi muito marcante porque tinha 15 ou 16 anos e foi muito bom sagrar-me campeão nacional pelo FC Porto. Lembro-me de estar em casa quando eles ganharam na Madeira e o André Sousa ligar-me a convidar para ir jantar com eles. Foi mais um momento inesquecível.

Esse momento fê-lo querer ser campeão a tempo inteiro?
Sim, claro. Depois fui emprestado ao FC Gaia e ao Vitória e essas passagens deram-me experiência para estar aqui a lutar por todos os títulos ao serviço do FC Porto.

Quão importantes foram esses empréstimos para se afirmar na equipa principal?
Fez-me muito bem ganhar tempo de jogo, jogava quase sempre os 60 minutos, e ter as pessoas certas ao meu lado, tanto no FC Gaia como no Vitória. Isso foi crucial para agora estar aqui a tempo inteiro.

Enquanto trilhava esse percurso, foi subindo de nível nas seleções com boas prestações em Europeus e Mundiais. Sente que faz parte de uma geração de ouro que está agora a despontar no andebol nacional?
Ninguém esperava que conseguíssemos tantos resultados históricos devido às lesões que tínhamos, mas a verdade é que conseguimos. O apoio que sentimos nessas competições foi gigante e sinto que a nossa geração é a geração de ouro do andebol português porque conseguiu feitos extraordinários. Tenho a certeza de que o futuro será promissor e com muito sucesso e qualidade. Portugal vai estar sempre na frente das competições em que participar.

Após meia época extraordinária em Guimarães, com 107 golos em apenas 19 jogos, foi chamado para voltar. Como recebeu a notícia?
Lembro-me de estar em casa e de receber essa chamada para me dizerem que me queriam de volta. Foi uma sensação incrível, não estava à espera. Voltar ao FC Porto e rever os meus amigos, bem como os mais velhos que sempre me trataram muito bem, foi espetacular. Foi uma proposta irrecusável.

Quando chegou, prometeu “lutar em cada segundo para mostrar o valor e aproveitar todas as oportunidades”. Logo em maio, estreou-se pela seleção nacional e passado um ano estava a jogar o Europeu. Qual foi o segredo?
A minha paixão pelo andebol e a forma como vivo o dia a dia é mais 50%. Treinar todos os dias com a máxima exigência ajuda muito. Estou muito grato por ter sido chamado ao Europeu, claro que não joguei muitos jogos nem tive muitos minutos, mas foi uma oportunidade de ouro e fiquei muito contente por ter marcado o meu primeiro golo à Macedónia do Norte.

Ser convocado e ajudar Portugal a conseguir a melhor classificação de sempre na prova foi certamente especial. Como viveu esse momento?
Foi uma experiência muito boa. Pude privar com jogadores como o Mathias Gidsel e o Simon Pytlick, que acompanhava pela televisão, estar com eles ao pequeno-almoço, almoço e jantar, ver as rotinas deles, conviver com eles, foi uma experiência inesquecível.

O António Areia e o Antonio Martínez, seus colegas de posição na seleção e no clube, respetivamente, teceram-lhe muitos elogios. Esse carinho é essencial para demonstrar mais à-vontade em campo?
Já em 2022/23 o António Areia me tinha recebido muito bem. Ele é um excelente jogador e uma excelente pessoa. Quando cheguei cá no ano passado, o Antonio Martínez estava lesionado, mas falávamos muito e dava-me dicas. Temos uma relação muito boa.

Joga com alguns dos seus colegas há muitos anos. Já se entendem de olhos fechados?
Tenho uma relação muito boa com o Miguel Oliveira, o Pedro Oliveira, o Vasco Costa, o Ricardo Brandão e o Diogo Rêma, jogamos juntos há muitos anos e temos uma química que ainda não existe com os mais velhos, mas que está a ser criada. É muito bom poder jogar ao lado deles porque são os meus melhores amigos.

Focando agora no presente, avizinha-se a reta final da temporada. Como vê a equipa?
Vejo a equipa muito motivada e confiante, principalmente depois do triunfo na Dinamarca. Sinto que o sorteio é favorável para nós e vamos fazer de tudo para estar na final four da Liga Europeia, o que seria um sonho tornado realidade.

A pressão aumenta nesta hora das decisões. Como se prepararam para isso?
Lidamos com essa pressão de forma muito positiva. O FC Porto é um clube que vive de títulos e nós vamos encarar estes jogos com a máxima seriedade e respeito para que consigamos festejar com os nossos adeptos.

A nível individual, que José Luís Ferreira podemos esperar nestes últimos meses de competição?
Vou trabalhar a 200% todos os dias, encarar todos os jogos como se fossem uma final e trazer a minha alegria diariamente para dar tudo pelo FC Porto e proporcionar momentos felizes aos adeptos.

Que apelo gostaria de deixar aos portistas?
Os adeptos são muito importantes. Com eles é muito mais fácil conseguir vitórias e conquistar títulos. Eles fazem toda a diferença porque passam muita alegria para dentro de campo e dão-nos muita motivação.

Para terminar, ainda só tem 20 anos e uma carreira pela frente. Que desejos tenciona concretizar aqui?
O meu desejo é ser campeão nacional a jogar regularmente. Este ano quero muito chegar à final four da Liga Europeia, seria algo extraordinário.

Esta entrevista também pode ser lida na mais recente edição da revista Dragões, já disponível em fcpor.to/DRAGÕES.

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