André Miranda renovou até 2031 e quer “dar muitas alegrias aos adeptos do FC Porto”
Acabado de renovar contrato com o FC Porto até 2031, André Miranda lembrou os inícios do percurso futebolístico, ainda “no jardim de casa” com “uma bola de borracha”, e contou as peripécias de um trajeto “muito difícil” que começou “muito novo” antes de revelar que tem o desejo de “voltar da lesão ainda mais forte”.
“O que podem esperar de mim é nada mais, nada menos do que o melhor e mais do que tenho feito até agora. Enquanto estiver cá, vou dar a minha vida, nem que parta as pernas, a cabeça ou os braços no campo. Podem sempre contar comigo e espero dar muitas alegrias aos adeptos do FC Porto”, esclarece o extremo de 18 anos determinado a “continuar a perseguir mais sonhos”.
Os primeiros toques
“Era um chavalinho ainda e os meus pais deram-me uma bola de borracha. Eu tenho um jardim em casa e lá comecei a dar os primeiros toques. A partir daí, nunca mais larguei a bola, começou aí o meu gosto pelo futebol, tinha seis meses, por volta disso.”
A difícil adaptação à Invicta
“No início, foi muito difícil. Sair de casa novo, ir para longe dos meus pais e dos meus amigos, ainda por cima para uma cidade movimentada como o Porto. Quase todos os dias ligava aos meus pais a chorar, a dizer que tinha saudades deles e que estava a ser difícil a minha adaptação cá. O meu pai ajudou-me muito a ultrapassar isso, deu-me forças para seguir em frente e muito ânimo até me adaptar. Nesse ano, também parti um dedo, foi um ano difícil.”
A família da Casa do Dragão
“Ajudaram-me muito porque nos tratam como uma família lá. As cozinheiras, os tutores, todos…, tratam-nos como se fossem nossos pais. Mesmo os colegas que viviam comigo eram como irmãos, passei a maior parte da minha infância e adolescência com eles.”
A estreia como profissional
“Comecei esta época nos sub-19, fiz lá a pré-epoca. Pensei que ia começar até na equipa B, mas dei a volta por cima, sempre quis mais e quero mais. Depois de quatro jogos nos sub-19, subi à equipa B, treinei lá e fiz a minha estreia frente ao Paços de Ferreira. Não estava nervoso, aliás estava muito confiante. Estava 2-2, um resultado que era propenso a atacarmos, e o que eu mais gosto de fazer é atacar. Gostei imenso.”
O primeiro golo na Segunda Liga
“Se não me engano, eles tiveram um expulso. Fui eu que consegui com que ele fosse expulso. Ganhei aquela vontade de quem mudou o jogo, mas quer ainda mais, e marquei o meu primeiro golo. Na altura nem pensei que era o primeiro. Só queria pegar na bola, voltar para o meio-campo e fazer o 2-1 e o 3-1, que por acaso foi o que aconteceu. Só depois do jogo é que recebi as mensagens todas das pessoas a darem-me os parabéns pelo primeiro golo. Nem me lembrava disso, só pensei na vitória mesmo.”
A convocatória para Plzen
“É um sonho, o meu sonho desde criança. Aliás, é um objetivo até. Eu vim para o FC Porto para chegar à equipa A. Claro que este crescimento foi feito por etapas, mas o objetivo era chegar à equipa A e manter-me. Foi a primeira convocatória internacional, numa Liga Europa, eu estava com esperanças de entrar e fiquei logo com um sorriso na cara, queria muito entrar, mudar o jogo e trazer a vitória. Além disso queria fazer a minha estreia, também. Quero sempre jogar. Seja um minuto ou 90, eu sinto-me bem é dentro de campo. Mesmo não tendo jogado nesse jogo, fiquei feliz por o míster me ter dado essa confiança e ter-me colocado na convocatória. Fiquei com um sorriso rasgado, mesmo não tendo entrado.”
A estreia no Estádio do Dragão
“Comecei com praxe logo, a cantar e a agradecer à malta. Não tinha sido o meu primeiro jogo a ser convocado, já conhecia o ambiente do Estádio do Dragão, mas nesse jogo tive a mesma esperança que já tinha tido em Plzen. Só pensava “estou aqui, sou o quarto extremo, tenho a possibilidade de entrar”. Na altura começámos a ganhar 1-0, com um golo do Oskar, e eles empataram por volta dos 70. Nesse momento, vi que só faltava uma substituição, precisávamos de ganhar e só havia defesas a aquecer comigo, pensei que seria a minha oportunidade de entrar e fazer a diferença. Quando o míster disse “Miranda, quatro minutos”, fique logo cansado. Nem estava a correr, mas fiquei cansado. Comecei a fazer sprints de um lado para o outro, a ativar e a acelerar. Chamaram-me, tirei o colete, já ia entrar e disseram-me para ter calma e ver as bolas paradas primeiro. Vi aquilo muito rápido, fui para a linha de meio-campo e, quando vejo a placa a entrar com o 72, fiquei ofegante e assustado. Estava 1-1, ainda por cima. Sabia que os meus pais estavam a ver também, tal como os meus amigos, mas consegui o que queria quando entrei, mudar o jogo, mesmo não estando diretamente ligado aos golos. Conseguimos uma vitória importantíssima e não consegui conter as lágrimas. Olhei para a minha mãe, que estava a ver o jogo, e vi-a cheia de orgulho, a acenar-me, e tive consciência de que cumpri o meu sonho. Agora é continuar para mais sonhos.”
Uma mensagem para os portistas
“Prometi a mim mesmo que tinha de voltar desta lesão ainda mais forte. Não sai da minha cabeça que tenho de dar sempre mais e melhor. O que podem esperar de mim é nada mais, nada menos do que o melhor e mais do que tenho feito até agora. Enquanto estiver cá, vou dar a minha vida, nem que parta as pernas, a cabeça ou os braços no campo. Podem sempre contar comigo e espero dar muitas alegrias aos adeptos do FC Porto.”
Notícias Relacionadas
O Portal do FC Porto utiliza cookies de diferentes formas. Sabe mais aqui.
Ao continuares a navegar no site estás a consentir a sua utilização.