Francesco Farioli garante que “o foco está em conseguir o maior número de pontos” para igualar o recorde de 2021/22 (domingo, 18h00)
Acabado de conquistar o 31.º título nacional, o FC Porto desloca-se à Vila das Aves a partir das 18h00 deste domingo (Sport TV) e Francesco Farioli mostra-se focado em igualar o melhor registo da história do campeonato: “Para chegar aos 91 pontos são precisas duas vitórias e vamos à procura delas”. O técnico italiano “gostaria de dar minutos a toda a gente, mas a prioridade é ganhar jogos” e “todas as decisões que tomar vão ser com base nisso”. “Não vamos mudar dois ou três jogadores só porque o trabalho está feito”, garantiu em plena sala de imprensa do CTFD Jorge Costa.
“Jogar fora é sempre difícil, apesar do apoio dos adeptos” e Francesco Farioli relembra que o AFS é “uma equipa que está num momento positivo depois de três empates e uma vitória”, pelo que os portistas terão de estar “muito bem preparados para este jogo”. “Não ficamos satisfeitos só com um título. Amanhã quero ver uma equipa com a mesma fome, com o mesmo desejo e com a mesma atitude dos jogos anteriores”, reforçou o líder de um grupo inteiramente “focado no campeonato e em conseguir o maior número de pontos possível”.
O recorde de pontos
“Faltam dois jogos e temos o desejo de fazer o melhor possível. Para chegar aos 91 pontos são precisas duas vitórias e vamos à procura delas, mas para já estamos focados no jogo contra o AFS, uma equipa que está num momento positivo depois de três empates e uma vitória. Temos de estar preparados, jogar fora é sempre difícil apesar de podermos contar com o apoio dos adeptos, mas temos de estar muito bem preparados para este jogo.”
A situação de Jan Bednarek
“É um assunto pessoal. Ele esteve aqui de manhã, trabalhou com a equipa e estava bem depois de uma noite complicada. A resposta do Clube, das autoridades policiais e de todos aqueles que o apoiaram foi a melhor e por isso ele treinou normalmente com os colegas.”
O mercado de transferências
“A atenção que o Victor (Froholdt) tem merecido é mérito dele, das suas exibições, da consistência que tem demonstrado e, especialmente, da evolução que tem protagonizado desde que chegou. Demonstra maturidade em todos os jogos e isso diz muito sobre ele. Não é o único jogador a ter evoluído muito durante a época, mas as palavras dele no sábado à noite foram muito claras, quando falou sobre a próxima temporada, onde gostaria de jogar e de como se sente no FC Porto. Por outro lado, há uma intenção clara de o Clube avançar no caminho certo para tentar manter os melhores jogadores por cá e de construir com base neste grupo. Falámos muitas vezes sobre um ano de reconstrução e alcançámos feitos notáveis, mas faltam dois jogos e temos de os encarar com uma mentalidade híbrida de terminar bem esta época e de preparar bem a próxima. Por um lado há o espírito, o compromisso e o nível exibicional que eu quero ver e, por outro, pode ser uma oportunidade para testar alguns jogadores. Desde o início da temporada fizemos muita rotação, toda a gente se sentiu envolvida e apresentou a melhor forma física. Nos próximos dois jogos poderemos rodar entre alguns jogadores para perceber em que forma estão. Além disso, há o trabalho que vem sendo feito há algumas semanas para perceber qual é a visão a longo prazo do Clube, os jogadores que queremos trazer, reuniões com o departamento de scouting… na segunda-feira vamos ter um dia importante para analisar os perfis dos jogadores e para abordar o mercado da forma certa. Toda a gente teve tempo de digerir o feito que alcançámos, mas agora é tempo de voltar a trabalhar e de continuar a entregar grandes exibições dentro de campo. Somos uma organização grande que está a trabalhar para chegar bem ao mercado e para realizar os movimentos certos para montar uma boa equipa para competir pelos diferentes objetivos na próxima temporada.”
Bednarek e João Costa
“O Jan (Bednarek) não precisa de mostrar mais nada para provar o líder e o homem que é. Esteve aqui de manhã, treinou e agora a decisão é minha. Gostaria de dar minutos a toda a gente, mas a nossa prioridade é ganhar jogos. Todas as decisões que tomar vão ser com base nisso: ganhar jogos. Não vamos mudar dois ou três jogadores só porque o trabalho está feito. O grupo já demonstrou o nível de compromisso e o impacto que teve nos primeiros 52 jogos e essa é a chave. Se calhar vamos dar minutos a um ou dois jovens, mas a prioridade é fazer tudo para conseguir os resultados desejados nestes dois jogos.”
A festa do título
“No sábado fui surpreendido, porque estava muito focado no jogo e só quando vi os adeptos fora do estádio é que percebi que tinha acontecido algo muito bom. Foi uma festa a sério, um momento para partilharmos com os adeptos a alegria de termos alcançado um feito importante. Dei tempo para os jogadores gerirem as emoções e para recuperarem a forma física. Há três dias que estamos a dar o máximo, 100% focados e a cumprir todas as rotinas. Já estamos a elevar a fasquia para a próxima época, porque não ficamos satisfeitos só com um título. Amanhã quero ver uma equipa com a mesma fome, com o mesmo desejo e a mesma atitude dos jogos anteriores. Vou avaliar alguns jogadores com os níveis de profissionalismo para continuarem por cá na próxima temporada.”
Os jogadores emprestados
“Temos vários jogadores emprestados, alguns que acabam contrato e têm havido conversas com eles, com os empresários e com os clubes para percebermos a sua situação e as possíveis condições. Todos estes jogadores acrescentaram alguma coisa e ajudaram-nos a conseguir o que queríamos. Estou-lhes muito grato pelo profissionalismo que demonstraram, pelo que deram à equipa e também tenho uma relação pessoal com eles. Estamos mais perto de tomar algumas decisões, mas nada ficará fechado antes do fim da época, porque o foco de todos está no campeonato e em conseguir o maior número de pontos nos próximos dois jogos.”
Dominik Prpić
“Para quem vê de fora pode ser difícil acompanhar o seu crescimento, porque ele não joga desde dezembro. Com a chegada do Thiago (Silva) surgiram novas dinâmicas no eixo da defesa, o Jan (Bednarek) jogou quase sempre e completámos a linha defensiva com ele e com o Pablo (Rosario). O Dominik (Prpić) assinava de cruz poder jogar 600 ou 700 minutos na primeira época. Teve muitos minutos na primeira metade da época e poucos na segunda porque temos dois centrais da seleção polaca e uma lenda como o Thiago Silva. Não deixou de ter minutos porque deixou de evoluir. Tem crescido muito e trabalhou sempre muito bem, mesmo não tendo jogado desde janeiro. Ajudou-nos a manter elevado o nível dos treinos para elevar a fasquia em todas as sessões, especialmente nos dias seguintes aos jogos. Esse compromisso nos exercícios com bola e físicos faz com que seja muito apreciado pelos colegas. Isso diz muito sobre o papel dele dentro do grupo e este é um bom momento para fazer uma avaliação, para analisar com calma e para decidir o que fazer por ele e pelo Clube. É um jogador que aprecio muito, pessoal e profissionalmente, e estou-lhe muito grato pelo que fez por nós este ano.”
Ainda a festa do título
“A grande festa vai ser daqui a 10 dias. Temos tempo para preparar a logística e tudo o que faz parte da celebração. Isso não faz parte do meu trabalho. É um momento de enorme felicidade, as emoções estão à flor da pele, há sempre excessos e coisas que fazem parte do desporto. Uns ganham, outros perdem e passaram-se coisas esta época que nos fazem rir.”
A próxima época
“Desde julho do ano passado que mantenho uma colaboração estreita com o Clube, principalmente com o presidente, mas também com o departamento de scouting. Já tivemos muitas reuniões para avaliar o plantel, as necessidades que temos e as oportunidades de mercado. Janeiro foi um bom exemplo disso: fizemos duas transferências no início, dois alvos claros, e depois esperámos pela oportunidade certa para trazer o Seko (Fofana) e o Terem (Moffi). Eles tiveram um papel muito importante com a lesão do Samu e para dar descanso ao Victor (Froholdt). Toda a gente viu isso. Estamos num momento em que as boas sensações do título têm de ser postas de parte e temos de manter a cabeça fria para fazer uma análise clara ao plantel, ao que ainda podemos melhorar e olhar caso a caso. Há posições em que teremos de mexer, principalmente no ataque. Enquanto esperamos pela recuperação do Samu temos de pensar nas alternativas. Temos de ouvir alguns jogadores para perceber se querem continuar ou não, os jogadores emprestados e os que acabam contrato. As próximas semanas vão ser atarefadas, mas já estamos a trabalhar a todo o gás em todos os dossiês. A partir de domingo à noite vamos entrar na rotina de preparar a próxima época e isso pode ser a diferença entre ganhar ou perder. Aqui ninguém quer perder tempo, a estrutura já está a trabalhar e vamos ter uma reunião longa com o scouting na segunda-feira. Estamos todos alinhados, sabemos por onde queremos ir e temos todos a mesma ambição de continuar a melhorar. O futebol é assim, vivemos no presente e ainda temos uma festa nos Aliados, mas já estamos a pensar na próxima época.”
Passado e futuro
“Tenho recebido muitas chamadas e mensagens às quais ainda nem respondi, porque só vou ter tempo de o fazer no fim da época, de pessoas próximas a perguntarem-me qual é a diferença entre a época passada e esta. O nosso trabalho enquanto equipa técnica foi semelhante, fizemos alguns ajustes e as pequenas coisas podem fazer a diferença e ajudar-nos a alcançar os resultados desejados. A linha é muito ténue. Gosto de saber o que se passa e qual é a narrativa construída. Na época passada vivi um momento complicado, mas percebi perfeitamente os motivos e sei o que poderia ter feito melhor enquanto treinador e organização. Também sei o que tem sido feito no FC Porto e essa é a maior lição de todas: temos de criar as condições necessárias para ganhar. Isso começa na pessoa mais importante e vai até à menos importante. Ainda assim não é garantia de sucesso, só garante que existem as condições para sermos bem-sucedidos. No ano passado tive dois mercados catastróficos e o verdadeiro milagre foi competir pelo título até ao fim com uma equipa daquelas. Este ano fizemos um bom trabalho, mas não fomos os únicos. Estou muito agradecido ao FC Porto, ao presidente, às pessoas que trabalham perto dele, ao Tiago (Madureira) e ao Henrique (Monteiro), as duas pessoas que estão todos os dias comigo no Olival e que trabalham comigo em todos os detalhes para colocar tudo no sítio certo. Uma equipa técnica fantástica, que trabalha muito, e os restantes departamentos, desde os diretores até às pessoas que fazem parte desses departamentos, que além de serem adeptos do FC Porto são trabalhadores incríveis. Depois, ter um grupo de jogadores deste nível e com este compromisso deixa-nos sempre mais perto do sucesso.”
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