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André Villas-Boas anuncia a “possibilidade de aproveitar uma mudança regulamentar para chegar à Terceira Divisão”

O presidente do FC Porto foi um dos oradores do festival ECO, que decorre esta quarta-feira em Lisboa. Lado a lado com Pedro Duarte, o presidente da Câmara Municipal, André Villas-Boas falou sobre a importância da marca FC Porto para a cidade, sobre o significado da festa do 31.º título nacional e sobre a cooperação entre o Clube e a autarquia e o Clube, que cedeu “um direito de superfície para a construção de um novo pavilhão” num terreno afeto à Escola Ramalho Ortigão.

Reunidas as condições, André Villas-Boas considera que “o FC Porto não pode ficar indiferente” perante “uma modalidade que apaixona e em que os clubes portugueses são dominadores” e anunciou a criação de uma equipa sénior de futsal, que tem sido abordado “passo a passo, com uma responsabilidade formativa”. “Esperamos o devido enquadramento com a Federação Portuguesa de Futebol sobre a possibilidade de o FC Porto aproveitar uma mudança regulamentar para chegar à Terceira Divisão, se não for o caso nas outras divisões”, revelou o presidente portista à margem do evento realizado no Centro Cultural de Belém.

Um clube em crescimento
“Agradeço as palavras de Pedro Duarte, mas eu não transformei o Clube, foram as pessoas que se transformaram na sua relação com o Clube, também com a transformação digital, que permitiu o acesso a um número sem fim de sócios, algo que não se dava por inação e por ser algo desvalorizado. Isso tornou uma forma diferente de o novo sócio se relacionar com o FC Porto e é isso que temos vindo a constatar. Temos vindo a crescer 20% ao ano na massa associativa desde que assumi a presidência. Houve o efeito inicial de fazer-se sócio para votar e depois a nova forma de as pessoas se relacionarem com o FC Porto. Depois, tudo o que é crescimento coletivo. O FC Porto lançou futebol feminino, basquetebol em cadeira de rodas e vai lançar futsal sénior, fica aqui em estreia absoluta. O FC Porto começa a crescer ecleticamente, e não podemos desvalorizar a importância da cidade, do presidente da Câmara e do município como veículos de construção de um maior FC Porto. Isto porque nós acertamos com a Câmara Municipal um direito de superfície para a construção de um novo pavilhão. A cidade do Porto sofre nas infraestruturas que tem para oferecer aos cidadãos para a prática desportiva, e junto às piscinas de Campanhã, foi-nos cedida na escola Ramalho Ortigão um direito de superfície para construirmos outro pavilhão. Para enquadramento, o FC Porto permite o acesso ao desporto a 700 pessoas fora do seu âmbito profissional, o que significa que o ecletismo do FC Porto custa à SAD 12 milhões de euros por ano, que são indecisivos para a nossa sustentabilidade enquanto clube. Os clubes cresceram no âmbito eclético, mas se não forem estes senhores a apoiarem-nos, não podíamos oferecer estes serviços a comunicado".

A festa do título
“Sentiu-se de forma diferente porque o formato também foi diferente. O objetivo foi unir rio e Aliados, foi bem conseguido. Inspirámo-nos no festejo do Athletic de Bilbau, que usa o rio como veículo canalizador para chegar ao estádio, e só esse movimento trouxe mais pessoas às ruas. Foi um São João de azul e branco, com uma simbiose perfeita entre Porto e FC Porto. As ruas e organização permitiram às pessoas porem as emoções na rua, com uma perfeita comunicação".

O que sente um campeão
“Como presidente, deixei de sentir felicidade, mas alívio. Enquanto treinador vivia a vitória com felicidade dentro de campo, agora vivo com alívio. Os meus dias são as vitórias do FC Porto, jornada após jornada, pela obtenção do objetivo. Mas foi uma excelente organização para as pessoas soltarem emoções e o FC Porto não era campeão há quatro anos. Quando assim é, há uma emoção enorme.”

O clube mais titulado
“Eu sinto na pele a exigência de todos os portistas. Foi-me passado um legado único e excecional no panorama do futebol português e internacional. Para um adepto e sócio que leva 48 anos de afiliação, é uma responsabilidade enorme. Portanto, isso causa-me medos, incertezas, sentido de responsabilidade. Também foi assim foi enquanto fui treinador do Clube. Medo de falhar com as pessoas, de falhar com as suas ambições. Medo de não ganhar títulos? Sim, claro. A história do FC Porto é marcada por títulos, neste momento somos o clube nacional com mais títulos no futebol. Essa responsabilidade é algo que me atravessa, que me causa vontade de retribuir com títulos e com sucesso às pessoas. Faz-me perder muito tempo familiar e pessoal em prol de um bem comum, das pessoas e instituições.”

Parabéns ao SCU Torreense
“Não estive envolvido na final do Jamor e há pouco a dizer. Foi uma surpresa. Uma festa do futebol que deve ser engrandecido Parabéns ao Torreense. Já tinha ganho a Taça de Portugal feminina no ano passado e conquista agora a masculina. Parabéns à estrutura. É um grande feito. Certamente o Sporting estará frustrado por não ter conseguido o resultado, mas não tem nada a ver comigo. Sou presidente do FC Porto.”

2026/27 em marcha
“A construção de uma época para a outra. Já entramos, de certa forma, na próxima, com a devida preparação, antecipação do mercado, quem pode entrar e sair. Tem sido tudo discutido internamente, entre equipa técnicas, scouting, direção desportiva e presidência. Estamos a tomar as decisões que sustentem o sucesso do FC Porto de uma época para outra. Todos os clubes que ganham o campeonato querem sustentar-se, a médio e longo prazo, isso é o mais difícil. É aguentar-se no topo e ser sempre referência. Cada clube português tem de se refundar de ano para ano. Pode haver mudanças que podem ser estruturantes e queremos que tenham o menor impacto possível.”

Jakub Kiwior no FC Barcelona e Gustavo Sá no FC Porto?
“Posso desmentir os dois. Foi com total surpresa que tive de desmentir. Não falo com o Deco há três meses. Jamais me ligou sobre o Kiwior, um grande jogador que o FC Porto roubou à Premier League. Relativamente ao Gustavo Sá, desminto em absoluto qualquer interesse. É um grande jogador, mas o FC Porto fez zero movimentos pelo Gustavo Sá.”

A hipocrisia do Sporting
“Estamos no campo das emoções. Quando são ultrapassados limites, temos de reconhecer. Na última época foram ultrapassados. Não se pode é viver na hipocrisia. Há um caminho de responsabilidade. O que se viveu na última Assembleia Geral foi absolutamente patético, relativamente às propostas do Sporting. Uma a ver com um canto mal assinalado, uma proposta que vem do IFAB e não do Sporting. Foi uma tentativa de chico-espertice que saiu mal. E outra com a postura dos presidentes. Temos de liderar pelo exemplo e não ter cenários como no Sporting-FC Porto, em que um presidente insultou outro. Seguramente podem contar com o presidente do FC Porto para isso e é importante que determinados níveis não sejam ultrapassados.”

Soluções para melhor o futebol português
“Não fiz outra coisa que não fosse tentar aproximar os grandes do futebol português. A partir do momento em que tentam pisar os calcanhares do FC Porto não há maneira dos clubes se poderem dar uns com os outros. Quebrei essa regra quando um determinado presidente começou a atacar o FC Porto sem qualquer fundamento. Há coisas que estão a funcionar, relativamente à centralização, em que há entendimento total entre FC Porto e Sporting. Benfica não. Há dossiês onde há um corpo comum de ideias. Há outros em que não há alinhamento.”

Uma nova modalidade
“O futsal é uma modalidade que apaixona e em que os clubes portugueses são dominadores, nomeadamente o Sporting e Benfica. O FC Porto não pode ficar indiferente. Há algo que é fundamental, como no feminino, que é importante que sejam sustentáveis e isso é difícil. A nossa entrada no panorama do futsal é um espaço que temos de ocupar, mas têm que nos dar o tempo necessário. No feminino respondemos afirmativamente, ao chegar à Liga BPI e a uma final da Taça. No futsal é passo a passo, com uma responsabilidade formativa. Esperamos o devido enquadramento com a Federação Portuguesa de Futebol sobre a possibilidade de o FC Porto aproveitar uma mudança regulamentar para chegar à Terceira Divisão, se não for o caso nas outras divisões.”

Trabalhar em silêncio
“O FC Porto opera no mercado diferente dos outros, em muito silêncio, em muito secretismo. Assim o fez em relação ao João Afonso e assim vai continuar a ser.”

A seleção nacional
“Sonhos difíceis. Temos uma capacidade única de gerar talento, também pela transformação dos nossos líderes desportivos, como os treinadores, muito fruto do efeito Mourinho. Quando venceu, com o seu método e liderança, criou nos jovens portugueses a vontade de serem treinadores antes de jogadores. Perguntando isso nas faculdades, na capacidade de evolução, duração, metodologia, ele é ímpar, um exemplo e uma referência, e por conta disso temos muito bons treinadores a trabalhar em Portugal na formação, o que nos permite ter uma geração de ouro que chega ao Mundial com possibilidades de o ganhar, sendo que tem pela frente a geração de ouro de França e de Espanha.”

Expectativas para o Mundial
“Eu tenho boas expetativas, mas o Mundial é sempre complicado. É um sonho, temos visto um Portugal ascendente, com vitórias na Liga das Nações e no Europeu, que nos permite ambicionar o título. Temos uma geração de ouro que termina e que tem de ser valorizada.”

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