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Rui Barros, vencedor da Taça Intercontinental e da Supertaça Europeia em 1987/88

Rui Barros, vencedor da Taça Intercontinental e da Supertaça Europeia em 1987/88 com a camisola do FC Porto, reconhece a imponência do Estádio Olímpico, mas garante que os portistas têm de jogar “sem medo do público” frente à Roma na segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga Europa (17h45, Sport TV 5). Na antecâmara do duelo decisivo de mais logo, o antigo craque aconselhou os homens de Martín Anselmi a “darem o máximo porque os valores do clube são esses: o espírito de sacrifício, a vontade, o querer e a humildade. É tudo aquilo que sempre foi o nosso clube. Nunca pensarmos numa derrota, entrarmos sempre para ganhar”.

As declarações de Rui Barros, que assume ver algumas semelhanças do seu jogo em Rodrigo Mora e se identifica com Diogo Costa, “um capitão com uma capacidade enorme para liderar”, foram originalmente publicadas no Travel Guide disponibilizado aos parceiros que viajaram no avião que levou a equipa portista até Roma.

Defrontou a Roma em 7 ocasiões, cinco pela Juventus e duas no Mónaco. Na passagem por Itália, marcou no Olímpico em 1989 e, já em França, foi seu o golo decisivo que eliminou a Roma nos quartos de final da Taça das Taças de 1992. Ainda se lembra desses momentos?
Joguei em algumas ocasiões contra eles e foi sempre importante disputar esse clássico do futebol italiano porque a Juventus era uma equipa que lutava pelos primeiros lugares, tal como a Roma, e foi sempre especial jogar também no Estádio Olímpico pelo palco em si, pelo ambiente e pelos adeptos. Foi sempre muito agradável. Claro que marcar é sempre especial, principalmente se o resultado for favorável à equipa que faz o golo, mas é importante jogar nestes grandes ambientes. Claro que eu tenho uma memória ainda mais especial, quando estava no Mónaco, porque marquei o golo em Itália nos quartos de final da Taça das Taças que deu acesso às meias-finais. Foi um momento especial para o clube, que nunca tinha chegado a uma meia-final, e para mim porque fiz o golo da vitória.

O que podem os jogadores esperar num estádio especial como o Olímpico de Roma?
Foi sempre especial jogar contra a Roma, principalmente no Estádio Olímpico, pelo ambiente. Não é que é seja um ambiente muito forte, sente-se o apoio à equipa, mas não é tão especial que possa causar algum receio de jogar neste estádio. O que os jogadores podem esperar do jogo não é assim muito diferente de outros estádios. Há uma pista de Tartan à volta do relvado e não notas os adeptos muito em cima, o que em certos campos têm um impacto muito grande. Claro que fazem o seu barulho, são ruidosos, mas os jogadores não têm de sentir qualquer problema em jogar aquilo que eles sabem, sem medo do público. O FC Porto já lá jogou várias vezes. Numa delas, felizmente, estava no banco como adjunto, quando empatámos em casa a zeros e fomos lá ganhar 3-0 para nos qualificarmos para a Champions. Foi um momento especial e contribuiu favoravelmente para o historial que temos no Estádio Olímpico. Tem que haver confiança total neste jogo em Roma.

Como avalia a caminhada do FC Porto nesta edição da Liga Europa?
O percurso da nossa equipa nesta competição tem sido regular. Claro que podíamos entrar nas oito melhores equipas, mas também como é um formato novo, perdemos o primeiro jogo fora, tivemos aquela derrota com o Olympiacos que nos deitou abaixo e tirou a possibilidade de chegarmos os oito primeiros, mas o mais importante era passarmos e estarmos agora neste play-off de acesso aos oitavos de final.

A recente chegada de Martín Anselmi trouxe uma mudança tática ao plantel. A avaliar por este ainda curto percurso, o que pensa do treinador?
O Martín Anselmi é diferente, tem ideias novas, ideias que é preciso tempo para implantar e para os jogadores se adaptarem àquilo que ele quer. É importante que os jogadores compreendam bem o sistema tático e que estejam aptos, e eu acho que sim, porque quem joga no FC Porto tem de estar habituado a todas as mudanças que possam existir, tanto a nível técnico como a nível dos jogadores, e por isso é importante os jogadores estarem todos focados no treino e no que ele quer para o jogo.

A época de 1987/88 foi extraordinária para o Rui, que regressou ao FC Porto para desempenhar um papel crucial em conquistas nacionais e internacionais. Que memórias guarda?
Fui emprestado ao Covilhã e ao Varzim quando saí dos juniores, depois voltei e fiz um ano fantástico, quando conquistámos a Supertaça Europeia, a Supertaça nacional, a Taça de Portugal, o Campeonato e a Taça Intercontinental. Foi realmente um momento fantástico, um ano em que ganhámos quase tudo que havia para ganhar. Fui depois transferido para a Juventus, uma mudança que me agradou e foi muito diferente do que acontece hoje, porque agora os atletas sabem perfeitamente que podem ser transferidos, que existe essa hipótese. Na altura isso passava-nos despercebido, o que eu queria era ser titular do FC Porto naquele ano. Foi importante para mim a transferência para a Juventus, foi bom para os dois lados, como é agora, é bom para o encaixe financeiro, para o clube e também para mim, que vou jogar fora.

Prosseguiu a carreira no Mónaco e voltou como uma referência para contribuir para o Penta. Ainda contava fazer mais história?
Gostei também muito de passar pelo Mónaco, ganhámos uma Taça de França, fomos à tal final da Taça das Taças, que infelizmente perdemos - acho que foi a única final que eu perdi, pois na Juventus ganhei a Taça UEFA e a Taça de Itália e no Porto também tive várias finais ganhas. Regressei, já passados seis anos, ao clube do meu coração e tive a oportunidade de ganhar o Penta, que é um marco histórico no futebol português. Entre a minha saída para Itália e o meu regresso, mantiveram-se oito ou nove jogadores da minha primeira passagem, o que diz muito sobre a diferença na passagem de testemunhos que havia no FC Porto. Claro que hoje em dia é mais difícil ter jogadores muito tempo num clube, mas quanto mais tempo os jogadores aqui estiverem, mais se agarram à cidade, ao clube, às pessoas, à identidade e claro que era importante fomentarmos isso.

Quem é o Rui Barros do atual plantel do FC Porto?
O Rodrigo Mora tem algumas semelhanças comigo, até mais pela altura, mas cada um tem características especiais. Acho que ele tecnicamente é melhor e eu era mais rápido, ambos habilidosos, mas diferimos um bocadinho na velocidade em campo. Eu era mais rápido, tanto em espaço curto como longo, e o Rodrigo é um jogador que consegue encontrar jogo entre linhas, mais propenso ao passe, ao remate, de finta mais curta, acho que essa é a diferença, e as alturas também, ele é um bocadinho mais alto do que eu.

Que outros jogadores gosta de ver jogar?
Quando se fala do coração é um bocadinho difícil. Eu gosto de todos os jogadores do FC Porto e desejo, aliás, que melhorem cada vez mais e se tornem importantes. Claro que o Diogo Costa é uma referência por estar há muitos anos no clube e nós temos tendência a identificar-nos com quem está cá há mais anos. É um capitão com uma capacidade enorme para lidar com várias situações que possam vir a acontecer.

Que conselhos gostaria de deixar à equipa?
Todos sabem quem é o FC Porto antes de aqui chegarem, não é um clube qualquer, tem uma dimensão enorme na Europa e no Mundo. Somos uma grande referência pela capacidade que temos de vencer a nível nacional e internacional e claro que os jogadores estão cientes disso. Vestir esta camisola requer uma maior responsabilidade de todos, um querer e uma vontade excecionais. Na minha opinião, não vale a pena falar muito quando se chega ou em entrevistas. O importante é falar pouco e que, dentro de cada treino, de cada momento de jogo, de cada estágio, na vida lá fora, sejamos responsáveis para representarmos este clube de topo. Lá fora, tenho muitos amigos, em Itália, França, Luxemburgo, nos Estados Unidos e na Polónia que olham para o sucesso do nosso clube, para a dimensão do nosso país e se questionam como é possível fazermos campanhas internacionais fantásticas. Daí parte o meu conselho para cada vez que vestirem a camisola do FC Porto darem o máximo porque os valores do clube são esses: o espírito de sacrifício, a vontade, o querer e a humildade. É tudo aquilo que sempre foi o nosso clube. Nunca pensarmos numa derrota, entrarmos sempre para ganhar. Há jogos - eu sei porque passei por isso – em que, se não se puder jogar bem, ao menos que se transpire, corra e lute, e que cada momento, cada disputa de bola, seja o último, cada duelo e cada ação ofensiva seja o momento mais importante do jogo porque são só 90 minutos, passa rápido, e quanto mais concentrados estivermos, lutarmos e complicarmos a vida dos adversários, mais forte seremos.

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