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Jorge Nuno Pinto da Costa faleceu a 15 de fevereiro de 2025

A maior figura da história do Futebol Clube do Porto partiu há precisamente um ano. Às primeiras horas da noite do dia 15 de fevereiro de 2025, um sábado de Inverno na cidade Invicta, era noticiada a morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, o Presidente dos Presidentes.

O mais vitorioso e longevo dirigente da história do futebol faleceu com 87 anos de idade e 71 de associado, após mais de seis décadas nos Órgãos Sociais e de 42 anos na liderança da instituição que elevou como ninguém. Para trás deixou um legado único que orgulha toda a nação azul e branca.

Nascido em Cedofeita às 6h10 da manhã de 28 de dezembro de 1937, o dia dos Santos Inocentes, o quarto filho de José Alexandrino Teixeira da Costa e de Maria Elisa Bessa de Lima Amorim Pinto começou a seguir o FC Porto guiado pela mão do tio Armando, antigo presidente do FC Famalicão que o levou a ver um jogo contra o SC Braga no Campo da Constituição. O menino de oito anos pouco ou nada viu, mas nunca esquece o que sentiu.

No penúltimo dia de 1953, acabado de completar 16 primaveras, a avó Alice inscreve-o como sócio do Clube. Três anos mais tarde, o irreverente Jorge Nuno contraria a vontade da mãe e interrompe os estudos no final do liceu. Sem ingressar no ensino superior, pega no diploma do sétimo ano e começa logo a trabalhar - primeiro num banco, a seguir como vendedor de produtos químicos e depois numa empresa de eletrodomésticos.

A conversa que mudou a história do desporto surgiu em 1958. O presidente Cesário Bonito convida-o para ser vogal do hóquei em patins e é nesse papel que acompanha o emblema do coração rumo a Torres Vedras, onde, no ano seguinte, festeja o título que nem Inocêncio Calabote conseguiu impedir. A partir daqui nada foi igual.

Acabou promovido a chefe da secção três anos depois, função que acumula com a de responsável pelo hóquei em campo, antes de se mudar para o boxe e de travar amizade com Reinaldo Teles. Em 1969 aceita o repto de Afonso Pinto Magalhães, torna-se responsável pelas modalidades amadoras e Américo de Sá sucede ao banqueiro, contudo Pinto da Costa rejeita continuar pois entende que o novo presidente deve renovar os Órgãos Sociais.

As portas de casa reabriram-se cinco anos depois, quando Américo de Sá lhe promete carta branca na escolha da equipa técnica e do plantel para a temporada 1976/77. Levantada a interdição que impedia o regresso José Maria Pedroto, treinador e diretor ganham a Taça de Portugal na primeira época juntos, quebram o jejum de 19 anos na segunda e sagram-se Bicampeões de Portugal - quase quatro décadas depois - na terceira.

Os eventos ocorridos na final da prova rainha de 1980 levam a dupla a cortar com o presidente. Inconformados perante a postura de Américo de Sá, que acusam de sucumbir às forças da capital, ambos deixam o clube e são acompanhados por 14 jogadores. Alguns atletas saem, outros ficam, mas a equipa de futebol não reencontra o trilho das vitórias e o portista de Cedofeita decide candidatar-se à liderança da instituição.

Vencido o sufrágio de 1982, só precisou de esperar dois anos para cumprir uma ambiciosa promessa eleitoral. Já sem Pedroto no banco, devido a doença, o FC Porto faz a vida negra à toda-poderosa Juventus, mas perde a final da Taça das Taças contra tudo e contra todos. O Mestre morre nos meses seguintes, Artur Jorge segue as pisadas do mentor e ganha o Bicampeonato na mesma altura em que se conclui o rebaixamento do Estádio das Antas - outra das promessas da Lista B.

A chegada ao Olimpo do futebol aconteceu em 1987. A jogar fora na capital austríaca, os Dragões que já não eram Andrades vergaram o super Bayern de Munique e conquistaram a mítica Taça dos Campeões Europeus. Não satisfeitos, ainda foram a Tóquio erguer a Taça Intercontinental debaixo de um nevão que esteve próximo de adiar a final mundial. O primeiro Triplete internacional da história do futebol ficou completo já sob o comando de Tomislav Ivic, o timoneiro responsável pelo triunfo na Supertaça Europeia frente ao Ajax.

O FC Porto venceu mais quatro campeonatos, duas Taças e três Supertaças até ao centenário, números insuficientes para satisfazer o insaciável Jorge Nuno Pinto da Costa. Acabado de saber que Sousa Cintra dispensara Bobby Robson, desvia o técnico sportinguista e lança as bases para o primeiro de cinco títulos consecutivos. António Oliveira e Fernando Santos dão perfeito seguimento ao trabalho do “Sir” e, em 1999, os Aliados enchem para dar vivas ao inédito Penta.

Pinto da Costa tirou mais um coelho da cartola em 2002, quando contratou um treinador despedido pelo Benfica e rejeitado pelo Sporting que lhe devolveu a glória europeia. Quebrado o enguiço dentro de portas, os portistas regressam ao topo da Europa com a conquista da Taça UEFA, em Sevilha, e da Liga dos Campeões, em Gelsenkirchen, num curto espaço de 12 meses em que ainda sobrou tempo para vestirem o fato de gala na inauguração do magnífico Estádio do Dragão.

Bicampeã do Mundo em Yokohama, a crescente nação azul e branca teve motivos de sobra para celebrar na primeira década do século XXI, altura em que também abriu portas o tão desejado Dragão Arena. Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira fecharam-na com um Tetra e duas Dobradinhas, o “Professor” juntou-lhe mais um êxito no Jamor e abriu caminho para a entrada de André Villas-Boas.

Enquanto o sucessor na presidência esteve ao leme da equipa de futebol, Jorge Nuno Pinto da Costa festejou uma Supertaça contra o Benfica, um título nacional sem derrotas na Luz, uma Liga Europa em Dublin e uma Taça de Portugal ganha de goleada. O treinador mais jovem de sempre a conquistar uma prova continental saiu, Vítor Pereira subiu de posto e o FC Porto aumentou a contagem até ao Tri.

O Museu que abrira portas no 120.º aniversário voltou a ser abastecido após a chegada de Sérgio Conceição, o treinador com mais jogos e títulos no FC Porto. Com o antigo extremo no banco, as vitrines foram abastecidas com três campeonatos, quatro Taças de Portugal, três Supertaças e uma Taça da Liga, o caneco que faltava para completar o ramalhete.

Feitas as contas, o Presidente dos Presidentes conquistou duas Taças Intercontinentais, duas Ligas dos Campeões, uma Taça UEFA, uma Liga Europa, uma Supertaça Europeia, 23 campeonatos, 16 Taças de Portugal, 22 Supertaças e uma Taça da Liga - 2.594 troféus em todas as modalidades e escalões - nos 15.356 dias em que liderou os destinos do Clube que sempre amou. O FC Porto tem mais de 132 anos de história, mas há um antes e um depois de Jorge Nuno Pinto da Costa.

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