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Em entrevista ao jornal O Jogo, Gabri Veiga lembra que “o alvo a abater é sempre o campeão”

“O alvo a abater é sempre o campeão”, por isso Gabri Veiga só pensa em “fazer ainda melhor na próxima época” ao serviço do FC Porto. Em entrevista ao jornal O Jogo, o camisola 10 confessa ter “encontrado um Clube que superou todas as expectativas” e mostra-se “muito feliz por ter devolvido o FC Porto ao sítio onde tem de estar”, com “regularidade, união, a mentalidade de trabalhar uns pelos outros e a confiança de que o título era possível, acreditando sempre até ao fim”.

“Quando estamos no nosso melhor somos uma equipa difícil, muito difícil de defrontar. Os rivais podem dizê-lo melhor do que eu”, constata o médio ciente de que para os rivais “chateia um pouco que o FC Porto esteja a este nível, que tenha voltado com mérito” e seguro de que “a recuperação dessa mística, de correr uns pelos outros, de que o importante era a equipa” foi decisiva para alcançar o principal objetivo.

“Obviamente não sou um jogador à FC Porto de nascimento, mas sou um jogador com esse sentimento”, acrescenta o galego ansioso “por ter a oportunidade de representar Portugal na Liga dos Campeões” e “muito cómodo” a viver na Invicta: “O ambiente, as pessoas muito próximas, uma cidade que sente muito o futebol, as pessoas que vivem para o futebol, uma cidade trabalhadora... É algo que me representa muito, que me identifica. Sou feliz aqui”.

As palavras de Varandas serviram de motivação?
“Sim. Não vou mentir, foi algo que se transformou numa grande gasolina. Além do que tínhamos de fazer por nós, o que se disse de fora... todos sabem o que foi dito, e foi o provara todos que havia aqui algo tão forte que podia falar quem quisesse, que nós íamos estar focados em nós até ao título. Gosto da rivalidade, tendo respeito, por que não faltei ao respeito a absolutamente ninguém. Foi algo que ficou ali, foi um bom momento, engraçado e nada mais. Não há que falar muito mais dessa parte, porque já está. O momento é de celebrar.”

Um melão com a cara de Varandas?
“Não me recordo, o melão acho que era normal.”

Sporting como principal rival?
“Foi uma luta a três, porque o Benfica, afinal, não perdeu em todo o campeonato e há que dar esse mérito. Tem um grande treinador, sabíamos que, quando o Mourinho foi para lá, ia ser difícil, por tudo o que ele representa. E o Sporting sabemos de onde vinha, de duas grandes épocas. Esta época fez uma boa época na Champions. Respeitamos todos, mas sabíamos o que tínhamos de fazer, acho que somos claramente merecedores do título, mas também temos de valorizar os rivais, porque não foi nada fácil. E isso diz muito bem também do futebol português, que está no auge e estamos contentes por ter a oportunidade de representar Portugal na Liga dos Campeões.”

De volta ao topo
“Depois de vários anos em que o FC Porto não está no patamar que merece - e agora está num nível elevado, o FC Porto está de volta, por assim dizer - em algum ponto isso pode chegar a chatear determinadas pessoas. Chateia um pouco que o FC Porto esteja a este nível, que tenha voltado com mérito, porque não é fácil passar de uma má época, com as trocas do verão, com novas incorporações que podem sair bem, mas nunca tens a certeza total. Tudo correu muito bem, com mérito da parte diretiva, do treinador e da nossa parte, e isso é um pouco inveja, por assim dizer, de que está tudo a correr bem.”

O momento da época
“Para mim são vários momentos. O falecimento do Jorge (Costa), que foi um momento mais de união da equipa, sobretudo no início; depois a derrota com o Casa Pia... Numa equipa sem tanta personalidade, sem esse trabalho por trás, confiança e união, nunca saberias onde poderia ir depois dessa derrota. E com todo o mundo a dizer que o Sporting ia recuperar o primeiro lugar, etc., etc.; depois, acho que também foi muito importante a vitória contra o Braga, que foi um dos rivais que mais me surpreendeu, dos que mais gostei - uma palavra para eles que fizeram um jogo, pelo menos contra nós, admirável -; ficou o Sporting com um jogo a menos, se perdêssemos, era um momento em que nos podiam ultrapassar. O Estoril também era uma equipa muito forte, algo que me surpreendeu nas equipas portuguesas, o nível realmente está muito alto. Foram essas vitórias, esses acontecimentos e, sobretudo, o não cair.”

A derrota nas Aves
“Não acredito que manche a nossa caminhada. Inclusive esta quarta-feira tivemos outro exemplo ao mais alto nível, o Barcelona, que há dois dias estava a celebrar, perdeu com um Alavés que lutava pela permanência. O AFS não jogava para nada e nós tínhamos essa vontade de igualar o recorde de pontos, além de objetivos pessoais, mas são coisas que podem acontecer. É uma aprendizagem para saber que, quando não estamos a 100%, se baixarmos um bocadinho, todas as equipas são competentes o suficiente para nos fazer passar uma má tarde. É algo que temos de aprender e não baixar o nível no ano que vem.”

A morte de Jorge Costa
“Acho que não era necessário viver muito tempo com ele para perceber a magnitude que tinha cá dentro. Tive a sorte de visitar o Museu com ele; aliás, a minha chegada aqui foi sempre com ele. A parte da lenda do futebol, do que fez em campo pelo FC Porto e pela seleção nacional e de tudo o que representava como jogador, era o respeito que aqui dentro se via por ele. Foi algo que me deixou assombrado, porque esse respeito tinha de ter sido ganho de alguma forma. Não tive o prazer de estar com ele como outras pessoas do Clube, mas, desde o primeiro momento, foi alguém que estava pronto para ajudar, com um sorriso, sempre a tranquilizar. Foi algo duro ver o presidente e as pessoas que estavam aqui com esses sentimentos... Foi duro de gerir. Não tanto pelo tempo que passei com ele, mas pelo que ele representava cá dentro. Deixou um vazio enorme, mas, afortunadamente, este título também vai para ele.”

Conviver com o Bicho
“Até fico um pouco arrepiado... As últimas que recordo foram num jogo da pré-época. Levei um cartão vermelho contra o FC Twente e cumpri castigo contra o FC Famalicão num particular. Eu já conhecia a Liga portuguesa, mas começámos a falar das equipas que eram difíceis de bater e ele dizia que o FC Famalicão era sempre uma equipa difícil. Falámos também do Gil Vicente, de todas essas equipas que jogam bem futebol e que não são tão conhecidas. Fizemos um resumo de toda a Liga e foi algo que também me serviu para depois perceber que, além dos grandes, também havia equipas fortes. Tenho esse pequeno episódio com ele, que mostra como ele vivia o futebol português e o FC Porto.”

Triunfo com dedicatória
“A escassos dias de começar a época tão esperançosa, que parecia que ia correr tudo de uma maneira diferente do ano anterior, foi como... um empurrão para baixo no início. Ficámos todos em choque, com uma tristeza incrível, foram dias... o funeral... muito difíceis. Mas é vida, e a melhor forma que tínhamos de o representar no campo era ir, pelo Jorge, até ao título. Tínhamos o slogan no balneário, muita gente não o viu, mas era o nosso slogan sempre que saíamos antes de jogar, de ganhar por ele. Foi algo que marcou a época e, felizmente, pudemos ganhar esse título.”

Segredos do título
“A união, sem dúvida. Por exemplo, depois do Casa Pia, por ser a primeira derrota, e depois tínhamos o Sporting aqui em casa, que poderia ser uma espécie de tropeção que te empurra para baixo. Mas nós convertemos isso numa pequena pedra no caminho. Serviu de aprendizagem para não perder muitos pontos mais. Foi isso: regularidade, união, trabalhar um pelo outro e a confiança que nos deram desde o princípio de que tínhamos nível para ser campeões. E acreditar até ao fim.”

A experiência de Farioli
“Há que aprender sempre. Na verdade, acho que nunca perdes: quando não podes ganhar, aprendes. Para ele foi uma época difícil, por essa vantagem que tinha no Ajax, que não estava no seu melhor momento. O FC Porto, com essas similaridades de que também não estava no seu melhor momento, vinha de uma época dececionante. Foi como um ponto de encontro que tivemos com ele. Os dois tivemos isto no passado, mas os dois queremos muito trabalhar no presente para poder celebrar no futuro. E assim foi.”

Fantasma Ajax?
“Falámos disso, mas mais em forma de brincadeira. Os fantasmas vimos na porta do estádio... É acreditar no trabalho que fazemos, no nível que temos, no bons que somos. Quando estamos no nosso melhor momento, somos uma equipa difícil, muito difícil de defrontar. Os rivais podem dizê-lo melhor do que eu. Nesses maus momentos, temos de nos abraçar, juntar-nos, confiar uns nos outros e continuar a trabalhar.

O alvo a abater
“Para ser sincero, quando começas uma época e se não há muitas mudanças, o alvo a abater é sempre o campeão. Este ano era o Sporting, porque vinha de dois campeonatos seguidos, era obviamente o alvo a abater. Quando fomos a Alvalade foi como um primeiro teste para saber onde estávamos realmente. Esse também foi um ponto importante para saber que estávamos aí, não tão longe dos rivais como no ano passado, e também nos deu muita moral.”

Dificuldade acrescida
“Bom, há sempre grandes contratações e há grandes vendas também. O nível surpreendeu-me muito este ano porque nenhum jogo foi fácil, fosse contra quem fosse. Inclusive, o AFS agora está a mostrar um nível muito bom. A competição aqui é muito alta. Qualquer equipa dá tudo. Qualquer equipa tem bons jogadores que podem jogar a bola, que podem defender, que são físicos. Estamos sempre preparados para o que temos pela frente, mas também há que olhar muito para nós, porque nós sabemos que, quando estamos ao nosso nível, somos uma equipa muito difícil.”

Vai continuar no FC Porto?
“Sim, tenho contrato. Na verdade, nunca se sabe com o mercado, ninguém pode dizer onde vai estar na próxima época, ninguém tem a certeza. Mas estou muito contente cá, como disse, encontrei um FC Porto que superou as minhas expectativas.”

A vontade é essa?
“Sim, sim, sem dúvida.”

Surpreendido com a rivalidade?
“Não, porque já sabia. Nas camadas jovens, quando eu jogava pelo Celta contra o FC Porto, já se via uma competitividade nos miúdos que não era algo que, em Espanha, estivéssemos habituados. Eram fortes nos duelos, um pouco até a jogar no limite das regras. Mas já sabia que havia aqui um sentimento de Lisboa-Porto muito grande, e que a rivalidade, sobretudo o FC Porto-Benfica, era muito importante. Já demonstrei que gosto deste tipo de momentos, porque faz parte do bonito do futebol, dentro do respeito, que às vezes é ultrapassado. Acho que é algo positivo, se se sabe levar de uma forma correta e, sobretudo, quando o que passa no campo fica no campo.”

Adeptos apaixonados pela rivalidade
“Sim, mobiliza muita gente, muitos adeptos. A presença que tivemos no Dragão foi incrível e estamos muito gratos por isso.”

Balanço coletivo
“Foi uma boa época, com boa nota, sobretudo com o objetivo cumprido e, de uma maneira muito especial, pelas circunstâncias que tivemos. Pelas mudanças que tivemos ao nível diretivo, equipa técnica e jogadores, queríamos mudar o que tinha corrido mal na época anterior e fazer do FC Porto campeão. Devolver o FC Porto ao sítio onde tem de estar. Estamos muito felizes por ter conseguido.”

Balanço individual
“Bom, sempre com momentos melhores, outros piores, mas acho que, sobretudo, acabei muito bem, num muito bom momento. Tivemos bons momentos na temporada, mas pode-se sempre fazer melhor. Mas acho que, tanto em estatísticas como a nível de jogo, melhorei muito. Digo sempre que o importante de cada época é acabar melhor do que começaste. Não tenho dúvidas de que sou melhor jogador agora do que quando voltei do Mundial de Clubes, por exemplo. Por isso, estou contente. O objetivo para o próximo ano é fazer melhor.”

A redução salarial para assinar pelo FC Porto
“As percentagens deixo-as nas mãos dos meus agentes, dos meus gestores, mas, obviamente, foi um fator que tive que reduzir pelo estatuto que tinha na Arábia Saudita. Como disse anteriormente, o FC Porto foi um clube que superou todas as minhas expectativas, porque é muito parecido com o que tinha vivido no Celta de Vigo, o ambiente, as pessoas muito próximas, uma cidade que sente muito o futebol, as pessoas que vivem para o futebol, uma cidade trabalhadora... É algo que me representa muito, que me identifica. Estou muito cómodo aqui, assim como a minha família. Sou feliz aqui.”

Sentiu-se desejado?
“Sim, digo sempre que o presidente foi a peça mais importante de todo o processo, porque, desde que começámos a falar, estava o Vítor Bruno, depois chegou o (Martín) Anselmi, depois veio o (Francesco) Farioli... Digamos que os treinadores foram mudando, mas o desejo dele era ter-me aqui, de valorizar-me muito, já vinha desde novembro de 2024. Isso foi um fator determinante, a sua vontade de ter-me aqui. Que um grande homem do futebol se interessasse tanto por ti é algo a ter em conta. Foi uma das razões pelas quais estou aqui.”

Um jogador à Porto
“Sim, se calhar fui melhorando com o tempo, entendendo um pouco o sentimento, essa mística do FC Porto. Acho que sou um tipo inteligente, que sabe perceber bem as dinâmicas e tudo. Obviamente não sou um jogador à FC Porto de nascimento, mas sou um jogador com esse sentimento.”

Galegos e tripeiros
“Para mim é quase como não passar a fronteira, e passo muitas vezes, porque vou muitas vezes lá, mas não tem qualquer tipo de diferença. Se calhar só o idioma, mas quem fala galego ou português para mim é quase igual. Foi algo que também me motivou muito na decisão de vir para cá, porque sabia que a adaptação ia ser quase imediata e assim foi.”

A Liga Europa
“Sinceramente, fiquei muito chateado. No primeiro jogo em Nottingham, no início, senti que eles estavam num patamar muito bom. Tinham trocado de treinador e senti que era muito difícil batê-los. Mas nesta eliminatória senti que éramos muito mais equipa. Se tivéssemos saído do Dragão com um 2-0 ou 3-0 seria normal, mas o futebol é bastardo. Quando não matas, ficas tu morto. Correu tudo mal nessa eliminatória. Inclusive lá, com 11 contra 11, tinha a noção de que estávamos ali e íamos passar por cima deles. Fiquei chateado porque tínhamos muita vontade de seguir em frente, estávamos num lado do quadro bastante difícil, primeiro com um Estugarda muito forte, depois o Nottingham. Nunca se saberia se chegaríamos à final, mas acho que merecíamos, pelo menos em 11 contra 11, e inclusive depois com 10 contra 11, ter passado. No global, fomos superiores a eles e fica um pouco a mágoa.”

Segue-se a Liga dos Campeões
“Por acaso, no outro dia, ouvi. Estávamos a jantar e puseram o hino da Champions. Para mim será algo novo, só tinha ouvido o hino da Champions asiática, que não é a mesma coisa. Desde miúdo sonhas em ouvir essa música, estar nesses grandes estádios cheios, frente a grandes equipas. c.”

Metas na Champions
“Para mim, é um objetivo passar a fase de liga, se puder ser no top-8, seria incrível. Adoraria. Temos o exemplo do Sporting, que defrontámos, e ambos somos equipas de grande nível. Podemos chegar lá, claro, mas há muito trabalho pela frente. Tem muito mérito o que fez o Sporting, ninguém o tira, mas acredito que nós também somos capazes de fazer isso.”

A Taça de Portugal
“Não gostei que os jogos das meias-finais fossem tão separados no tempo, porque perde-se um pouco as dinâmicas de equipa. Por norma, em todas as competições que são a eliminar, os jogos são muito perto um do outro. Foi um pouco estranho. Depois, os jogos tiveram jogadas polémicas, que todo a gente viu. Às vezes o futebol é assim, nem sempre podes sair vitorioso.”

A arbitragem portuguesa
“Realmente é um pouco típico dizer isto, mas os árbitros também são seres humanos, podem errar, nós erramos. Se calhar, algumas decisões... mas não acredito em má-fé. São pessoas normais que cometem erros. Estou seguro de que, se pudessem fazer tudo perfeito, seriam os primeiros a fazê-lo. No futebol também há erros. Tens de saber que isso pode acontecer. Se há algo com que não estás de acordo, tens de haver muito respeito com o árbitro. Todos temos de melhorar, nós como jogadores, eles como árbitros, a Federação com essas coisas. Como eu espero ser melhor na próxima época, também desejo que os árbitros possam melhorar no sentido em que eles considerem e fazer do futebol português algo ainda melhor.”

A postura com os árbitros
“Se falo com qualquer árbitro, dizem que chato que é este tipo. Mas é dentro do respeito, de saber que eles realmente são bons, mas às vezes também podem falhar. Quero que falhem o menos possível, assim como o meu treinador quer que eu falhe o menos possível.”

Representar a seleção
“Todos os espanhóis têm esse sonho, de representar o seu país. Mas sou muito de clubes, depois, se o selecionador acredita que também posso ajudar, serei o tipo mais feliz. Mas primeiro tenho de render no clube para que ele me considere... Não é nada fácil, com o meio-campo que a Espanha tem. Ele tem muita sorte de poder escolher quem quiser, que terá sempre um nível incrível. Quero conseguir um espaço, mas, sobretudo, focado no dia a dia para ajudar o FC Porto.”

Ainda o Mundial de Clubes
“Foi bom para saber o momento em que estava, para voltar às dinâmicas da Europa, depois de dois anos na Arábia Saudita. Acho que não correu como toda a gente esperava, mas, no fim, ficam momentos como jogar contra o Messi e representar o FC Porto num cenário que era novidade. Foi bom estar lá, porque significava que tinhas feito bem as coisas nas competições europeias. Não correu tudo bem, mas também foi um ponto de partida para mudar as coisas. Depois, num ápice, estávamos na pré-época e começámos a trabalhar de outra maneira, ainda com as feridas na pele, como diz muito o mister, sobretudo pelo que havia passado na época anterior. Mas, já começamos a ser outra equipa.”

O que faltou a Anselmi?
“Sempre disse e sempre o defendi quando me perguntavam por ele, porque, para mim, é um grande treinador. Partilhava muitas coisas da sua maneira de ver o futebol. Vou contar um episódio: numa das reuniões que tive com ele, acabou o seu discurso, que foi, na verdade, muito bom, e depois perguntou-me se tinha alguma dúvida. Não tinha nenhum tipo de dúvida, porque explicou tudo tão bem. Tinha bem claro como queria que a sua equipa jogasse, o que via nas minhas características e o que podia acrescentar à equipa. Também foi importante para que eu viesse para aqui, só tenho palavras de agradecimento para ele. Diz-se que tens de estar no momento certo, no lugar certo... se calhar falhou um pouco de timing. Não sei como explicar, mas pelo Mundial de Clubes só tenho palavras de agradecimento.”

A chegada de Farioli
“Mudou um pouco a recuperação dessa mística do FC Porto, de correr uns pelos outros, de que o importante era a equipa. Sobretudo, melhorei muito nos duelos, no entendimento do jogo, no associar-me mais. As suas reuniões, desde o início, chamaram-me muito a atenção, porque também me identificava muito com o que dizia sobre ler o jogo, sobre como saltar entre adversários, fazer assim ou assado na sequência do que faz o adversário, encontrar os espaços, atacar profundidades, todos esses movimentos que acho que, para a gente que entende de futebol, ele tem na pele. Também lhe estou muito agradecido, porque era um jogador no início da época e agora sinto-me melhor.”

O melhor assistente
“É uma mistura de tudo. Há uma parte importante das bolas paradas, que é um aspeto em que melhorei muito. Depois, também a maneira de jogarmos. A nível de golos, gostaria que fossem mais, veremos se no sábado posso aumentar um pouco. Mas gostaria de algo mais, embora não sejamos uma equipa goleadora, de 5-0, somos mais eficazes, mais de controlo do jogo. As assistências deixam-me muito contente, porque bati um recorde meu por muito; acho que o máximo tinham sido seis ou sete assistências na minha carreira. Sem ter um recorde de minutos, consegui fazer um bom rácio de participações de golo. E vamos ver se no sábado posso fazer mais.”

Remates de longe
“Depende também da confiança. Quem tem bom remate pode chutar e, por muito bem que o faça, às vezes bate num ou noutro. Contra blocos baixos, pode ser uma boa ação. São momentos, não? Marquei muitos golos de fora da área no Celta, este ano não tanto, mas tive bons remates, não tive sorte. É algo que também quero melhorar, porque é uma boa arma - se o mister me permite, e acho que às vezes permite - para desbloquear o jogo.”

Titular ao lado de Mora?
“Sei que é uma questão que os adeptos reclamam muito. Partilhamos a mesma posição e ficaria encantado. Muitas vezes brincávamos nos treinos sobre jogar juntos, mas é algo que, na verdade, sucedeu em escassos minutos. As coisas correram bem e, se o mister decidiu assim, há que respeitá-lo. Mas o meu desejo, claro, seria jogar com o Mora o mais tempo possível, porque é um grande jogador.”

Onde mais evoluiu
“Acho que, no entendimento do jogo, por exemplo, nas bolas paradas, dei um passo à frente. Nunca estive nesse patamar de ter essa importância nas bolas paradas, nas movimentações, nas relações uns com os outros: se o extremo puxa, tenho de fazer a corrida, todo esse tipo de coisas... No nível defensivo, ser muito agressivo, ganhar duelos... de que quanto melhor estiveres no nível defensivo, melhor vais estar no aspeto ofensivo. O sacrifício pela equipa, as corridas para trás de gente que gosta de ter a bola, mas que se sacrifica...”

Onde pode melhorar
“Se calhar posso marcar mais de golos e ser mais regular, como agora no final. Que não seja um jogo sim, um jogo não, porque acho que quanto mais vezes estás em campo, num jogador como eu, melhor, porque ganhas confiança, ritmo de jogo e físico.”

O companheiro que mais o surpreendeu
“O Pepê. É muito chato, mas digo-lhe sempre: com a qualidade que tu tens, se tens mais números... É algo que sou muito crítico com ele, porque com a qualidade que tem, deveria rebentar com a baliza. Para mim, é um jogador de outro patamar, sei que as pessoas às vezes são críticas com ele, mas estou aqui todos os dias e sei a qualidade que tem e quando ele está no seu momento, é de um patamar muito elevado.”

Jogar com Thiago Silva
“É um prazer, porque foi um tipo com quem cresci, um tipo incrível. Começando pela sua humildade, pela sua liderança, só pelo andar dele já sabes o líder que é, o respeito que todos têm por ele. É mais um ser humano incrível, poderia ter chegado aqui e dizer quem é este ou quem é aquele? Desde o primeiro momento que foi o contrário, sempre a ajudar, preocupando-se com todos, a rir. Foi uma grande contratação do presidente, esperemos que fique mais tempo connosco. Está a ser um autêntico prazer compartilhar com ele, com um tipo que cresci, um dos melhores centrais que vi.”

E com Oskar Pietuszewski
“Também me surpreendeu muito, porque vinha do Jagiellonia, ninguém conhecia. Era uma aposta do presidente, do scouting, não sei, não quero dar méritos errados, mas imagino que será deles. Às vezes brinco com ele, que vai toda hora no um para um, não se cansa, é insistente, isso para os rivais é muito difícil, sobretudo neste campeonato que se calhar é mais tático, não tanto de duelo e tal. Veio aqui e rebentou um pouco essa estabilidade que tínhamos, ele desequilibra num abrir e fechar de olhos, é algo que nos dá muito, tem que continuar a crescer. Claro, com 17 anos é incrível o que já fez, a adaptação que teve, porque no início sei que não foi fácil para ele, ficou fora da Liga Europa, mas desejo-lhe o melhor, que continue como é, dentro e fora do campo.”

O golo de Oskar na Luz
“Isso foi algo incrível, a calma que ele teve. Eu, com 17 anos, não era assim, então só tenho palavras de bem para ele, que continue assim.”

O cabelo de Borja Sainz
“Bom, falando de recordes, é um dos maiores que vi porque a quantidade de, não sei o quê, laca, ou lá o que mete no cabelo... Fica perfeito, nunca vi um tipo que ficasse tão perfeito. Gosto muito de brincar com isso, mas a verdade é que tenho o seu mérito, e aí não lhe posso dizer nada. Ninguém lhe pode tocar, fica chateado. Eu já nem tento, porque ele é meio maluco.”

O mais vaidoso
“É o Borja, sim. O Nehuén também, mas é diferente. O Borja passa muito tempo assim, a pentear-se...”

O mais divertido
“Eu estou lá, ninguém me diz, não sei porquê, mas depois riem todos comigo. O Zaidu é muito engraçado. Adoro-o.

Comida preferida
“Arroz de lavagante.”

Francesinha?
“Experimentei quando fiz a recuperação cá. Sinceramente, é muito condimento para mim. Não gosto muito de molhos. Respeito, porque a verdade é que na imagem fica muito bem, mas depois não me diz nada especial. Tenho de tentar outra vez. Sou mais de marisco.”

A festa nos Aliados
“Não imagino, e a verdade é que não quero ver nenhum vídeo, quero que seja tudo uma surpresa, mas sei que espero um grande ambiente, sobretudo com nossos adeptos, que são malucos no bom sentido. Esperamos começar com a vitória, primeiro de tudo, e depois festejar com eles.”

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