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Sérgio Conceição falou pela primeira vez depois de prolongar o vínculo com o FC Porto até 2024

Sérgio Conceição continuará a bater recordes no comando técnico do FC Porto. A renovação do contrato com o clube que o formou enquanto jogador vai fazer com que o timoneiro azul e branco se torne no treinador com mais épocas consecutivas ao leme do FC Porto. Grato pela “confiança depositada”, o mister começou por explicar que é “exigente por natureza” e representa um emblema que também o é: “Um clube exigente, com o presidente mais titulado do mundo, com muitos títulos nacionais, com sete títulos internacionais que honram não só a nação portista mas também Portugal. Nós somos, em muitas situações, um estandarte importante para elevar o nome de Portugal na Europa, nomeadamente na Liga dos Campeões”. 

Nas palavras de Sérgio Conceição, as bases desse FC Porto vencedor além-fronteiras são fruto das raízes regionalistas dos nortenhos: “Todos juntos, a cada dia que passa, a cada comentário que se faz, seja na imprensa falada ou escrita, torna-nos mais fortes. Nós vivemos disso. Nós somos um povo, e falo da região Norte, que vive desse trabalho, desse orgulho em quem somos, dessa dedicação e ambição permanente. É assim que vamos continuar a ser: odiados por muitos, mas mais fortes com aqueles que são verdadeiramente portistas”.

Declaração inicial
“Começo por agradecer esta confiança depositada em mim e na minha equipa técnica. Agradecer também à direção do FC Porto e a toda a nação portista. Eu já não falo há algum tempo, perdi o hábito, mas li muita coisa. Nomeadamente que o Sérgio exigia isto ou aquilo. Eu não exijo nada, porque eu sou exigente por natureza. Se as pessoas são inteligentes percebem o que estou a dizer. Sou exigente porque estou num clube exigente, com o presidente mais titulado do mundo, com muitos títulos nacionais, com sete títulos internacionais que honram não só a nação portista mas também Portugal. Nós somos, em muitas situações, um estandarte importante para elevar o nome de Portugal na Europa, nomeadamente na Liga dos Campeões. É um clube que me obriga a ser melhor todos os dias, precisamente por esse historial e peso que tem, por essa pressão boa que cria em quem trabalha aqui. Eu estou habituado a trabalhar com gente dessa, por isso, quando o senhor presidente falou e falámos sobre a renovação, há outras coisas muito mais importantes do que o dinheiro que está no contrato. Isso não conta. O que conta, sim, é a nossa ambição, a nossa dedicação ao clube, o que queremos todos os dias para continuarmos a ser um clube vencedor. Para mim isso é que é fundamental. Queria agradecer, também, à minha família, porque não tem sido fácil pela pressão que tem existido. A minha família obviamente que está orgulhosa, porque além de nos amarmos muito de uma forma incondicional, também são portistas e fico muito contente por isso. Todos juntos, a cada dia que passa, a cada comentário que se faz, seja na imprensa falada ou escrita, torna-nos mais fortes. Nós vivemos disso. Nós somos um povo, e falo da região Norte, que vive desse trabalho, desse orgulho em quem somos, dessa dedicação e ambição permanente. É assim que vamos continuar a ser: odiados por muitos, mas mais fortes com aqueles que são verdadeiramente portistas. Aproveito para dizer já, e percebendo que haverá perguntas nesse sentido, que uma das motivações que eu tenho é voltar a ter – e aqui estão representados pelo líder da claque do FC Porto – os adeptos neste estádio a serem uma mais-valia para a equipa. Tenho uma motivação grande de voltar a vencer com eles. Porque sinto-me um deles. Isso não me bloqueia nem me tira discernimento do meu trabalho, mas dá-me algo mais. Eu tenho um orgulho enorme por estar aqui hoje, ao lado do senhor presidente, por aquilo que já fizemos mas também pelo que queremos fazer mais no futuro. É isso que me move, a mim e à minha equipa técnica. É isso que vamos fazer. Para nós as vitórias diárias são importantes, mas mais importantes do que isso são os títulos que queremos e vamos ganhar. Prometo exatamente o mesmo que fui e dei ao clube até hoje, prometo exatamente o mesmo do que sou. Muitas vezes não é fácil lidar comigo, acredito que sim, mas no meu horizonte está sempre uma coisa absolutamente essencial, que é o sucesso do FC Porto. É assim que vamos continuar a ser, eu e a minha equipa técnica, esperando que daqui a três anos possamos estar aqui. Não por uma nova renovação, mas por mais um mandato do nosso presidente, mas porque faz sempre falta ao clube. Obrigado a todos.”

Novos desafios
“Temos de continuar a ser nós mesmos. No nosso trabalho, naquilo que é a intenção de conseguir vitórias diárias. Sermos todos mais fortes diariamente para, com essas vitórias, alcançarmos o mais importante, que são os títulos. Nós vivemos disso, sabemos que não fomos perfeitos nestes quatro anos, que cometemos alguns erros. Não foi possível ganhar tudo, mas lutámos sempre até ao final. Somos competitivos e é assim que vamos continuar a ser.”

Rumores de mercado
“Ainda não falámos do plantel. Pelo que vem na comunicação social é natural que alimentem alguns rumores e que também convenha a algumas pessoas criar mais confusão nessas tais exigências. Aqui não há exigências, há pessoas exigentes, como é o caso do presidente e do treinador que querem o melhor para o clube. Isso para mim é que é importante. Ainda não falámos de nada, obviamente que já pensámos, sobre o planeamento da próxima época. Vamos ter tempo para o fazer, houve outras coisas que falámos e que são importantes para criarmos as bases do sucesso. É isto que se passa em todos os clubes do mundo, penso eu. Pelo menos naquele que eu conheço e que eu posso dizer. Passou-se a imagem de que o Sérgio exige tudo, quer tudo, tem tudo… não houve nada disso. Houve conversas sobre futebol, sobre a época e sobre outras situações que são importantes para a nossa dinâmica aqui no clube e para estarmos mais próximos dessas vitórias para alcançarmos os títulos de que estamos aqui a falar. Não houve ninguém a exigir algo que não fosse normal num clube vencedor.”

Longevidade recordista
“É a responsabilidade que eu tenho. Isto é tudo responsabilidade, estou ao lado do presidente mais titulado do mundo. Isto, por si só, é uma grandíssima responsabilidade por ser treinador do FC Porto. O presidente pode gostar muito de mim, da minha família, e sermos muito amigos, mas se eu não fosse capaz e competente de certeza que não estava aqui. Estou consciente das dificuldades que vou ter pela frente e do clube que represento. Não há, em nenhum dia, um relaxar por já estar cá há quatro anos e agora ter um contrato por mais três. Isso é sinónimo de ainda mais responsabilidade e as pessoas sabem disso. Ainda agora o engenheiro (Luís Gonçalves) estava-me a dizer que eu tenho que ir de férias para descansar, mas eu respondi que temos é de nos reunir para planearmos e fazermos as coisas bem feitas. O que eu posso dizer em termos do acordo é que nunca falaria com ninguém sem ter uma conversa com o nosso presidente. A partir do momento em que tive essa conversa, na qual o presidente mostrou vontade para que eu continuasse, foi o ponto final. Foi bem mais simples do que no primeiro contrato, sem dúvida absolutamente nenhuma.”

Reinvenção e evolução
“É um desafio para nós, sem dúvida nenhuma. Porque vamos ter jogadores diferentes e porque somos uma equipa com determinadas características. As pessoas sabem que características são essas que fazem do FC Porto um clube competitivo e forte, mas há sempre nuances e variantes que queremos continuar a ter, para ajudar a equipa a jogar da melhor forma. Por vezes a melhor forma pode não ser a mais bonita para quem gosta de cinema e de circo, mas é a forma que eu acho melhor para ganhar.”

Em silêncio desde abril
“Não foi uma questão de me proteger. Dentro do que são os finais de época, e dentro do que vai acontecendo dentro e fora do campo, achei por bem não falar. Iria alimentar mais algumas coisas e dar pérolas aos inimigos que não queria dar. Não quis entrar nesse jogo, preferi continuar o meu trabalho de forma silenciosa, para tentar ganhar o título. Não foi possível, mas foi por esse motivo que não falei. Muitas vezes falo, sou direto, frontal e vou continuar a ser assim. Se não, não sou eu. Às vezes toco no que as pessoas não gostam. Já fui castigado por dar uma ou outra ideia do que se podia fazer para melhorar o futebol português. O que aconteceu depois foram castigos porque, numa conferência de imprensa, dei uma opinião para melhorar o nosso futebol. Neste final de época foi estratégico não falar, para me concentrar com a equipa e para não dar azo a situações que não são benéficas para a equipa e para o futebol.

Movimento dos adeptos em prol da renovação
“Isto das redes sociais faz com que vivamos num mundo diferente daquele a que estávamos habituados há 15 ou 20 anos. Eu já tive oportunidade de me manifestar e dizer para que é que as redes sociais, para mim, contam. Há gente que aprecia e gosta, e há outra que tem o direito de não gostar e apreciar. Eu tenho respeito por toda a gente desde que não passem do tal limite que muitas vezes, nas redes sociais, é fácil de ultrapassar. Até porque não se dá a cara, está-se com um telefone ou computador à frente e escreve-se o que se quer e o que não se quer, por vezes. Não dou muita relevância a isso, mas sinto esse carinho que os adeptos têm por mim, porque sentem que há alguém que os defende. E defende-os dando vitórias ao clube, que é o que eles querem. Eles não querem um treinador simpático, mais ou menos bonito, eles querem ganhar, como eu e como o senhor presidente. Estou completamente identificado e sei que não agrado a toda a gente. Falou num jogador que saiu, como o Marega, e com certeza que sairá mais um ou outro, mas isso é inevitável, faz parte da vida do clube. O Marega não jogava por ser alto ou simpático, até porque não o era, jogava porque tinha qualidade. Tinha qualidade dentro da nossa forma de jogar, provavelmente existirão outros Maregas que jogam de forma diferente e que poderão encaixar na próxima equipa do FC Porto. Acho que é importante relativizarmos esses tais movimentos e focarmo-nos no mais importante: a equipa, as vitórias e os títulos.”

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