Rui Borges assegura que "não podia estar num Clube melhor" em entrevista ao jornal O Jogo
De regresso a casa “30 anos depois”, Rui Borges confessa que “não podia estar num sítio melhor” e que “em mais lado nenhum” se sentiria desta forma, até porque nunca teve “nem quis ter outro Clube” que não o FC Porto. Em entrevista ao jornal O Jogo, o treinador da natação admite que estar de volta “tem um significado incrível”, porque o faz recordar das competições que venceu de azul e branco, numa altura em que os atletas “não tinham as mesmas condições”, mas já entendiam que “o FC Porto era um gigante respeitado em todo o mundo”.
“Mais experiente” depois de um trajeto “que permitiu aprender muito”, o recordista de medalhas do Clube promete “incutir os valores de antigamente na cabeça dos mais jovens” e lembra que só com “compromisso, trabalho e muita paciência” é que é possível “ter uma equipa consistente”, “estar no topo a nível nacional” e ter “muitos atletas nas seleções e em grandes competições, como os Jogos Olímpicos”.
Portista de gema
“Sou sócio do FC Porto desde que nasci, há 58 anos. Comecei a nadar aos quatro e nunca tive, nem quis ter, outro clube.”
O percurso enquanto treinador
“Quando terminei a carreira de nadador, orientei o meu primeiro treino enquanto adjunto da Teresa Figueiras que, na altura, era treinadora dos infantis. Depois recebi propostas de fora e fui para o SC Braga, onde estive sete anos, depois mais dois no Clube de Natação de Vila Verde, a seguir oito no Leixões SC e 13 no Fluvial. Agora, 30 anos depois, voltei à minha casa.”
Regresso a casa
“Volto muito mais experiente, porque o trajeto que fiz, em todos os clubes, permitiu-me aprender muito. Acabei por ter a possibilidade de estar bastantes vezes com alguns dos melhores treinadores do mundo, de ter conversas com alguns deles e até de criar grandes amizades. Tudo isso fez com que evoluísse muito e recebesse este convite que tanto me honrou. Aliás, como digo a toda a gente, não podia estar em melhor sítio outra vez."
Lar doce lar
“Em mais lado nenhum me sentiria como me estou a sentir agora. Este regresso tem um significado incrível para mim, creio que até rejuvenesci um bocadinho. Entro para dar treino e recordo-me das competições que fiz aqui, das provas que ganhei e dos treinos em que quase chorei nesta piscina. Também me recordo, claro, da piscina das Antas e dos pavilhões antigos. Tenho fotos no Estádio das Antas com o meu irmão, quando tinha dois ou três anos. Nessa altura, a piscina e o Pavilhão Américo de Sá ainda não existiam e o meu pai levava-nos sempre ao estádio aos domingo de manhã, houvesse jogos ou não. Isto é mesmo um regresso a casa, é aqui que me sinto muito bem.”
Filho de peixe sabe nadar
“Pode parecer suspeito, mas nestas últimas provas o melhor resultado foi o do Rodrigo Borges, que é meu filho. No campeonato nacional individual foi o segundo nadador a baixar a barreira dos 15 minutos nos 1500 metros. Até hoje só um português o tinha feito, o José Paulo Lopes, que esteve nos Jogos Olímpicos.”
O talento jovem
"Há juniores que estão a despontar, mais no setor masculino do que no feminino, mas isso faz parte do nosso trabalho e é algo em que teremos de colocar o nosso esforço. Temos de incutir na cabeça destes miúdos que o FC Porto é um Clube muito grande, um emblema gigante e respeitado em todo o mundo, por isso tem de haver compromisso, trabalho e muita paciência. Se eles perceberem isso, os talentos não desaparecerão e, daqui a alguns anos, teremos uma equipa muito consistente."
O melhor dos dois mundos
"Estamos a tentar ir buscar os valores de antigamente, a tentar fazer com que os atletas os interiorizem e aproveitem as condições que têm agora e que nós não tínhamos. Têm condições espetaculares, das melhores do país e têm de entender isso. Vamos tentar conjugar esses valores de antigamente com as condições de agora.”
As novas gerações
“Sabemos que alguns atletas, tendo muito talento, não têm capacidade de sofrimento, porque a carreira de um atleta de natação não se faz em dois ou três anos, faz-se em dez, 15 ou 20. A Angélica André tem 31 anos e nada desde os cinco, por exemplo. Esta é uma geração que tem as coisas com facilidade e a natação é exatamente o contrário, é algo muito difícil e que demora para se fazer uma carreira. Já tivemos casos de jovens com talento, mas que ao fim de dois ou três anos acabaram por deixar.”
Dragões nas seleções
"O grande objetivo do Clube é tentar que não sejam só dois, três ou quatro atletas nas seleções, mas sim muitos e em grandes competições, como os Jogos Olímpicos e Mundiais. Se tivermos esses atletas é sinal de que estamos lá em cima a nível nacional."
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