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Retrato do adversário do FC Porto nos quartos de final da Liga Europa

O adversário do FC Porto nos quartos de final da Liga Europa 2025/26 é um dos clubes mais antigos e emblemáticos do futebol mundial. Fundado em plena Revolução Industrial, no longínquo ano de 1865, o Nottingham Forest Football Club surgiu quando um grupo de praticantes de shinty - modalidade tradicional das Terras Altas da Escócia disputada com tacos e uma bola - decidiu formar uma equipa de futebol.

A primeira reunião teve lugar no Clinton Arms, um pub local, e desse encontro nasceu um clube que viria a atingir o Olimpo do futebol europeu. O nome foi escolhido em homenagem à floresta de Sherwood, um símbolo da cidade e da região associado à lenda de Robin Hood, e os fundadores adotaram a cor vermelha em homenagem aos Camisas Vermelhas de Garibaldi - daí o apelido “Reds”.

No ano seguinte a abrir portas, o Forest realizou o primeiro jogo oficial frente ao Notts County - o emblema mais antigo do mundo -, em 1892 tornou-se membro da Football League - a primeira liga profissional do planeta - e, seis anos volvidos, conquistou o primeiro título ao vencer a Taça de Inglaterra, derrotando o Derby County por 3-1 na final disputada em Londres, no reduto do Crystal Palace.

Entre 1900 e 1940, os Tricky Trees foram alternando entre o primeiro e o segundo escalão e viveram um período de reconstrução depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1959 voltaram à ribalta e conquistaram mais uma FA Cup, diante do Luton Town, no mítico Estádio de Wembley (2-1). Os 15 anos seguintes ficaram marcados por momentos difíceis em que o clube se deparou com constrangimentos financeiros e maus resultados desportivos.

Tudo mudou em 1975 com a chegada de Brian Clough. Oriundo do eterno rival, o Derby County, Clough assumiu o comando técnico e guiou o modesto emblema de Nottingham desde a Segunda Divisão até ao topo do futebol europeu. Adepto da disciplina do futebol coletivo, o carismático treinador inglês garantiu a promoção ao principal escalão em 1977 e, somente um ano depois, venceu o campeonato e a Taça da Liga Inglesa, deixando para trás gigantes como o Liverpool ou o Manchester United.

As grandes conquistas - quiçá as maiores façanhas da história do futebol - viriam a surgir pouco depois: em 1979 e 1980, o Nottingham Forest sagrou-se Bicampeão da Europa e ainda venceu a Supertaça Europeia, feitos até então inimagináveis e que fizeram de Brian Clough uma lenda do desporto-rei.

Jogadores como Viv Anderson, John Robertson, Martin O’Neill, Tony Woodcock, Trevor Francis e o guarda-redes Peter Shilton marcaram essa era dourada e o estilo de Clough - confiante, autoritário e visionário - transformou o emblema da árvore e do rio numa referência mundial. Após a saída do icónico timoneiro, o clube viveu décadas de altos e baixos, com novas Taças da Liga em 1989 e 1990, descidas e subidas, e um longo afastamento da elite.

O ponto mais baixo dos 160 anos de história surgiu em 2005, quando foi despromovido à terceira divisão e se tornou no primeiro Bicampeão Europeu a cair tão fundo. De então para cá dezenas de treinadores e várias administrações procuraram trazê-lo de volta à elite - feito que Steve Cooper alcançou em 2022, após 23 anos de ausência.

O Nottingham Forest rivaliza ferozmente com o Derby County (o dérbi de East Midlands) e com o Leicester City. Sob a propriedade de Evangelos Marinakis desde 2017, procura consolidar-se na Premier League, mantendo o City Ground como bastião e alimentando uma história que combina tradição centenária, noites europeias épicas e uma base de adeptos que enche o estádio de vermelho a cada jornada.

Pontos comuns

Com o Nottingham Forest, o traço comum escreve-se a partir da linha defensiva e das alas e só termina no banco de suplentes. Felipe chegou como patrão discreto, organizando a paisagem sob pressão, Willy Boly impôs-se no jogo aéreo e no corte limpo e Licá acrescentou diagonais, pressão e generosidade tática, enquanto Nuno Espírito Santo e Vítor Pereira agregaram todos os atributos para somar vitórias e melhoraram-nos desde a linha lateral. Percursos diferentes com a mesma utilidade: simplificar, segurar a primeira bola, dar metros à equipa e alegrias aos adeptos.

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