Francesco Farioli perspetiva o FC Porto-Santa Clara da 34.ª jornada da Liga (sábado, 15h30)
Vai cair o pano sobre 2025/26 para o Campeão Nacional FC Porto, que recebe o Santa Clara num Estádio do Dragão já com lotação esgotada na 34.ª e derradeira jornada da Liga (sábado, 15h30, Sport TV). Reconhecendo que o dia de amanhã será “especial”, Francesco Farioli abordou diversos temos relacionados com esta época e com a próxima, mas a verdade é que o foco está em “acabar a época com uma grande exibição e ter o melhor resultado possível”. Afinal de contas, “queremos chegar aos Aliados depois de uma vitória. Se queremos desfrutar da festa, só há uma maneira de o fazer”, reforçou o treinador italiano. À entrada para esta ronda, os detentores do título somam 85 pontos, mais seis do que o Sporting e mais oito do que o Benfica, enquanto o Santa Clara segue na 12.ª posição, com 36.
Somar os três pontos é a prioridade
“Amanhã vai ser um dia especial, mas temos de o tornar ainda mais especial a partir das 15h30, isso é o mais importante. Essa foi a nossa prioridade e o nosso foco esta semana. Esta semana foi desapontante depois de uma performance que não foi boa, mas que deveria ter sido suficiente para ganhar. Por vezes há pequenos detalhes que fazem uma grande diferença. Amanhã temos de fazer tudo para termos um bom dia de manhã à noite. A nossa prioridade é acabar a época com uma grande exibição e ter o melhor resultado possível. As substituições ou quem vai entrar de início irão ver amanhã.”
Nehuén Pérez entre os convocados
“O Nehuén vai estar no banco, vai estar de volta com a equipa. Nos últimos tempos tem ficado cada vez mais perto de estar a 100% e agora está perto de voltar. Está nos convocados para amanhã.”
A situação pessoal de Luuk de Jong
“Não vou entrar nos assuntos pessoais, mas acho que houve um mal-entendido em relação à gravidade da situação do Luuk de Jong e é tudo o que posso dizer. Não tem a gravidade que foi descrita, não é o caso, e é importante dizer isto para que toda a gente que adora o Luuk esteja confortável e em paz.”
A evolução de Rodrigo Mora
“Há uma grande diferença entre as obrigações defensivas e ofensivas. Se me perguntarem se o sistema põe o Rodrigo na sua posição ideal, sou honesto para responder que não, mas penso que o trabalho, a dedicação e a curiosidade em se desenvolver, fazem com que se esteja a tornar um jogador de equipa. Na época passada teve números melhores em golos e contribuições para golo, mas acho que agora é um jogador mais completo do que era antes. O Rodrigo nunca vai perder o seu talento e as suas qualidades, mas este ano foi um jogador que fez parte de uma equipa que teve sucesso e que escreveu uma página inesquecível na história deste Clube. A grande lição que tiramos desta época é que tirámos uns 5% de cada jogador em termos individuais, mas aquilo que conseguimos a nível coletivo faz com que toda a gente abdique desses 5% para o conseguir outra vez. Se perguntarem a todos os jogadores qual foi a base do nosso sucesso, eles dirão que foi a equipa e o espírito deste grupo.”
Decisões para tomar a partir de segunda-feira
“Todas as avaliações e situações são finalizadas a partir de segunda-feira. A partir daí vamos ter tempo para digerir uma época longa e é o momento de tomar as decisões finais. Nestes dias, já tive conversas com todos eles para receber as últimas informações que preciso para tirar as minhas conclusões e partilhá-las com o Clube. A partir daí tomaremos as melhores decisões para o futuro do Clube e da equipa.”
Os Campeões chamam a atenção
“Depois da época que fizemos, é normal que os nossos jogadores tenham a atenção e o interesse de outros clubes, mas a mensagem interna é muito clara. Queremos manter os nossos melhores jogadores porque aquilo que fizemos esta época foi reconstruir e criar as condições para o Clube se voltar a estabelecer no nível em que tem de estar. Acelerámos tudo em termos de resultados, em particular com a conquista do título nacional. Limpámos algumas coisas e criámos as bases de um grupo jovem e que vai precisar de ajustes no verão para ser competitivo outra vez. Não estamos a oferecer jogadores de borla e os números que os protegem são importantes. Não vamos baixar a qualidade e já estamos a trabalhar há vários meses com o presidente e com a estrutura para o desenvolvimento dos jogadores, mas também estamos ativos no mercado. A nossa prioridade é desenvolvermo-nos em termos de estrutura, organização e infraestruturas. Esta época foi muito positiva, mas o nível de exigência que temos de ter na próxima época tem de ser maior. Queremos gente com requisitos específicos, com desejo de trabalhar e fome de melhorar. A competição na próxima época vai ser mais complicada, os desafios serão diferentes, e não falo apenas pela Liga dos Campeões, mas também nas provas domésticas. Amanhã a celebração do título vai ter uma pausa de algumas horas, pois estamos focados no Santa Clara e em fechar a época da forma que toda a gente merece.”
A festa nos Aliados
“Gosto de surpresas, sobretudo quando sei que serão boas. Não gosto é de surpresas como a do fim de semana passado, pois não dormi durante dois dias. Não acredito que haja segredos e detalhes em particular. Estamos aqui para trabalhar, para jogar e para entregar. O meu trabalho como líder deste grupo é definir os padrões e mantê-los. No fim de semana passado estivemos bem, mas fomos demasiado macios e não tivemos o mesmo nível de competitividade e de fome. Amanhã não há qualquer tipo de possibilidade de não jogarmos ao nível a que jogámos durante 51 jogos. É o que vamos fazer porque queremos chegar aos Aliados depois de uma vitória. Se queremos desfrutar da festa, só há uma maneira de o fazer.”
O telefonema de José Mourinho
“Por vezes, aquilo que conseguimos e a dimensão do nosso sucesso também tem a ver com a dimensão dos nossos adversários. Ganhámos a dois clubes gigantes. Conquistámos o título num sábado à noite e no dia seguinte, quando acordei, a primeira chamada que recebi foi do mister Mourinho para me dar os parabéns. Podemos lutar e competir em campo, mas entre pessoas com valores, reconhecemo-nos com clareza. Para mim foi um prazer ouvir essas palavras dele, tenho muito respeito por ele. Se ficar, será um opositor duro de defrontar, mas se não ficar, teremos outro para defrontar. Foi um privilégio defrontarmo-nos e ganhar a uma equipa que não perdeu nenhum jogo no campeonato, o que diz muito do que fizemos.”
A Liga portuguesa
“Ainda não tirei as minhas conclusões, mas o que me agradou foi o nível da competição e dos adversários. Temos 85 pontos e, se possível, teremos mais três. O que sinto é que preparámos todos os jogos com muita atenção, muito trabalho e muita dedicação pois defrontámos boas equipas com jogadores interessantes. Todos os treinadores apresentaram desafios diferentes e, para mim, o nível é muito alto. Claro que há coisas a melhorar e seria bom que a competição fosse justa, é uma ambição que todos temos. O nosso sentimento é que o esforço que se coloca em campo e as respetivas exibições terão um prémio natural através dos resultados. Esta época tivemos muitas batalhas para lutar e fizemo-lo com um grande espírito e uma grande atitude, mesmo em momentos e situações difíceis. Muitas vezes sentíamos que tínhamos de nos esforçar a dobrar para conseguirmos o que queríamos. Foi uma época exigente e a gratidão que tenho pelos jogadores e por toda a gente que trabalha no Olival é imensa. Estes resultados são fruto de muitos fatores.”
Diogo Costa com o número 2?
“É uma conversa pessoal entre o presidente e o Diogo e será uma decisão a ser tomada. O gesto do Clube é importante, mas o Diogo tem o direito de decidir o que fazer. Usar o 99 já é uma grande responsabilidade, mas sobretudo usar a braçadeira. Ele é um símbolo lendário deste Clube e se pensarmos em todas as pessoas que já a usaram, ele decididamente é alguém que merece e que o faz de forma fantástica. De preferência durante muitos anos.”
2025/26 já está em andamento
“Olhamos para a próxima época da mesma forma que olhámos para esta. Podemos projetar e ter expetativas quando planeamos uma época, saber para onde queremos ir, o mercado, o tipo de investimento e de análise interna, mas tudo ter de estar alinhado com o Clube. O Clube já deu provas no verão e em janeiro e a mim dá-me provas diárias sobre o nível do trabalho. Esta semana o foco esteve no Santa Clara, mas tivemos momentos para investir a nossa atenção em coisas que acredito que são importantes para dar passos em frente. Agora vamos fazer uma análise ao plantel, ao staff e a tudo o que for preciso pois a exigência tem de subir. O que fizemos foi brilhante e agora temos de ter cabeça fria para tomar as melhores decisões possíveis. Não podemos viver no passado e no que fizemos. Quando voltarmos a passar o portão do Olival, temos de ter o estômago vazio, a mesma fome e o mesmo desejo de melhorar.”
O ataque ao mercado
“Há coisas que temos de fazer e há semanas que estamos a trabalhar em potenciais alvos. Por outro lado, podemos estar muito bem preparados para o mercado, mas não controlamos tudo. Perante alguém que chega e bate 100 milhões de euros por uma cláusula de um jogador, o teu controlo já não está lá. Temos um plano claro e as nossas intenções e também temos cenários preparados para algo que aconteça. A boa parte é que todos os jogadores querem ficar, isso é o mais importante. O trabalho não está feito e o sentimento é de que queremos continuar a fazê-lo juntos. Ninguém sente que o trabalho terminou. Há mais para fazer e queremos fazê-lo juntos. A partir de segunda-feira, começamos a mover a nossa atenção para o mercado. A mais recente entrevista do Victor Froholdt é um bom exemplo de como toda a gente se sente. Este grupo merece um momento de respeito pelo último jogo de amanhã. Este grupo será este grupo pela última vez amanhã e a minha atenção está em preparar bem a equipa para chegarmos ao jogo com a energia certa e a competitividade certa para conseguirmos o que queremos todos juntos. Depois, todos sabem o que significa os Aliados.”
Vem aí o Mundial 2026
“Vou olhar para o Mundial como alguém que se quer desenvolver, que quer conhecer mais sobre o jogo e sobre os jogadores, até para ver se há algum que possa ser interessante para nós. Vou estar atento a novas ideias, pois os treinadores têm de preparar a competição em pouco tempo. Por outro lado, será normal apoiar os meus jogadores nas suas seleções. Se duas seleções com jogadores nossos chegarem à final é fácil, vou estar feliz de qualquer maneira.”
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