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Diogo Costa foi distinguido como o Jogador do Ano pelo Zerozero

Diogo Costa recebeu o prémio Jogador do Ano entregue pelo portal Zerozero, a quem concedeu uma extensa entrevista para falar sobre a temporada em que se sagrou Campeão Nacional pela terceira vez. Seguro de que “a vinda de um novo treinador foi o que mudou as dinâmicas”, o capitão do FC Porto descreve Francesco Farioli como um técnico “com muita qualidade para a idade que tem” e com “valores muito parecidos ou até iguais ao ADN do FC Porto”, que trouxe “novas ideias, métodos de treino muito bons e muito intensos”.

“A cultura do FC Porto, desde que estou aqui, é de muito trabalho, trabalho, trabalho e trabalhar em silêncio, mesmo quando as coisas correm mal. O mister trouxe isso, trouxe outra vez os valores do FC Porto”, explica o guarda-redes preparado para “continuar a trabalhar e a sofrer nos treinos para que os jogos sejam mais fáceis”: “Eu não sei ter outro ADN, outra cultura, tenho muito orgulho de fazer parte desta região”.

Decidido a “continuar a ser um exemplo e uma ajuda para todos”, o número 99 mostra-se “disposto a sofrer pelo sucesso” e “desconfiado” quando isso não acontece - “ao ir para casa, no carro, as pernas têm de me doer” -, e garante que essa capacidade de superação “é mais de meio caminho andado para ter sucesso”. “Muito orgulhoso por ser portista”, Diogo Costa promete “dar sempre a vida pelo FC Porto”, o Clube que o faz sentir “um amor especial e um amor diferente”.

O que mudou de 2024/25 para 2025/26
“Foi muito diferente da época passada. Para ser muito direto e muito simples, acho que a vinda de um novo treinador, o mister Farioli, foi o que mudou as dinâmicas do nosso estilo de jogo. Um treinador muito jovem, com muita qualidade para a idade que tem, para a experiência que tem... o ponto principal foi aí. É um treinador que tem os seus valores muito parecidos ou até iguais ao ADN do FC Porto.”

Farioli chegou, viu e venceu
“O mister tinha aquela vontade de ganhar o seu primeiro título. Acredito que, pelo passado no Ajax, também vinha um pouco frustrado pelo que passou. E acho que mesmo ele sentiu que, à medida que fomos jogando, esse desejo que ele tinha de ganhar um título estava muito próximo, que podia ser possível. Acho que o ponto principal foi a vinda do nosso treinador, porque veio com novas ideias, métodos de treino muito bons, muito intensos e acho que isso foi sempre a nossa maior arma neste campeonato, assim como a confiança que o mister teve em fazer todas essas rotações da equipa. Acho que o estilo a que ele nos habituou, às suas ideias, sempre foi dar confiança a todos os jogadores, que todos os jogadores pudessem estar no seu melhor e, de certa forma, que desse uma base para o que foi a época, aquilo que ia ser a nossa época. Para mim, sinceramente, foi o ponto onde tudo começou, onde tudo mudou para melhor.”

A morte de Jorge Costa
“É um momento que eu nunca vou... Tudo o que aconteceu com ele, acho que nunca vou esquecer um dia tão mau. Mas acho que também nos deu muita força, porque não estávamos a jogar só por nós, estávamos a jogar pelo Jorge também. Pelo carácter que o Jorge tinha, meteu logo toda a gente a gostar dele, desde o primeiro dia da pré-época. Todos os jogadores, todo o staff, toda a equipa técnica, tínhamos algo para fazer a mais por uma certa pessoa, isso ainda foi um fator de mais motivação, de estar disposto a sofrer nos jogos para, no fim, conseguirmos o campeonato.”

Unidos pelo Capitão
“Nós tínhamos um quadro que tinha lá o nome do Jorge Costa e todos rubricámos esse quadro com o compromisso de fazer mais do que é suposto fazer, por ele. E todos nós rubricámos esse quadro, que esteve connosco em todos os jogos, além de uma camisola pendurada, por isso foi algo que levámos para todos os jogos.”

ADN FC Porto
“Sinceramente, não sei ser de outra maneira, porque toda a minha vida passei cá no FC Porto, na cidade. Fui para a Casa Dragão aos 15 anos, comecei a morar lá. Eu não sei ter outro ADN, outra cultura, tenho muito orgulho de fazer parte desta região, somos um povo que está sempre disposto a sofrer pelo sucesso.”

O desaire em Rio Maior
“Ia exatamente falar desse jogo. Nesse jogo percebemos o que é que realmente estava a faltar. E se calhar faltava fazer mais cinco metros. Ou seja, acho que foi um alerta muito bom para a equipa.”

Serviu de lição
“Acho que as derrotas nunca são boas, mas foi bom para voltar a despertar a malta, dar uma chamada de atenção. Perceber que não ia ser um campeonato fácil, apesar de termos feito um bom início. Estrategicamente, as outras equipas já começavam a perceber como é que nós jogamos e nós tínhamos de tentar ser mais imprevisíveis, partindo de uma base. Mas ia pegar nesse jogo com o Casa Pia, foi o jogo que nos fez, se calhar, aumentar a voltagem da tomada.”

As vantagens desperdiçadas
“Acima de tudo, foram momentos de muita frustração, de muita impotência. Mas, mais uma vez, acho que a equipa, nesse aspeto, sempre se portou muito bem, sempre quisemos mais todos os dias. Aliás, a nossa cultura do FC Porto, desde que estou aqui, é de muito trabalho, trabalho, trabalho e trabalhar em silêncio, mesmo quando as coisas correm mal. O mister trouxe isso, trouxe outra vez os valores do FC Porto. Foi um fator muito importante, acho que a equipa se portou muito bem. Com a ajuda dos meus capitães, conseguimos sempre puxar a malta para cima e meter todos no mesmo barco, sempre, todos os dias.”

Superiores às adversidades
“Nesses momentos é falar do que é que está mal no momento. Sempre fomos muito curtos e diretos ao assunto entre nós, vimos o que é que estava mal, continuar a trabalhar, continuar a sofrer nos treinos para que os jogos fossem mais fáceis. Trabalho, trabalho, trabalho. Apesar de haver algumas irregularidades, foi uma época bastante consistente.”

O dono da braçadeira
“Acho que, num todo, todos os colegas me respeitam. Sabem que sou uma pessoa que está no Clube há algum tempo, sempre senti carinho de toda a gente, nunca senti falta de respeito de ninguém. Tentei sempre ser o exemplo para eles, porque lembro-me de ser mais novo e também olhar para os exemplos da casa, os jogadores que estavam no FC Porto. E eu, no fundo, quero também continuar a ser esse exemplo para eles e, claramente, ser uma ajuda para todos. Foi fundamental não só como eles olharam para mim, mas mesmo com a chegada de algumas «carcaças». Toda a gente teve um respeito muito grande por todos e é muito bonito recordar. Acho que veem um amigo pronto a ajudá-los e que olha sempre para o coletivo.”

Os líderes do balneário
“Sempre senti respeito de todos os jogadores, incluindo o (Jan) Bednarek, além da vinda do Thiago Silva. E o que também procurei foi aprender com eles. Eles sempre me ajudaram nessa liderança, tal como todos os outros capitães. Mas foi uma ligação muito saudável, todos estamos à procura de ganhar. É mais de meio caminho andado para termos sucesso.”

A parceria com Cláudio Ramos
“Já estamos há algum tempo juntos no FC Porto, temos uma ligação muito gira, ao mesmo tempo de muito respeito, com princípios muito parecidos. Nas Aves foi exatamente essa sensação que eu tive, de que ele não merecia. Pelo colega que ele é, pelos seus princípios, pelo seu carácter, pelo amor que ele ganhou no Clube desde a chegada. Ele não era portista e vai ser portista até morrer. Esse sentimento foi o que tive naquele momento, logo a seguir ao jogo, tive que o abraçar e mostrar todo o respeito que ele sempre mostrou por mim e queria fazer-lhe o mesmo.”

Ser capitão
“Tento liderar pelo exemplo. Sempre aprendi isso com os jogadores mais velhos e agora tento também dar esse exemplo.”

Gente trabalhadora
“A base é o trabalho no campo. Quando os treinos têm exercícios mais de brincadeira, já não me identifico muito, porque tive de trabalhar muito para chegar aqui e, à mínima coisa, quando algo não está a ir do meu agrado, há uma certa azia dentro de mim. Tudo se resume ao trabalho. Também tive bons ensinamentos na formação, todos os treinadores de guarda-redes, todos os treinadores da equipa que me passaram os princípios, além do convívio com jogadores mais velhos. Há muitos fatores que posso falar, a alimentação, o dormir bem, treinar o máximo, cuidar-me, a recuperação, mas acima de tudo é esse foco, o querer. Tenho sempre um tópico dentro da minha cabeça que é «eu quero estar disposto a sofrer pelo sucesso». E eu estou disposto a sofrer pelo sucesso. Quando não sofro no treino, já me sinto desconfiado. Quando não sinto dificuldade no treino, estou desconfiado.”

A solução para todos os problemas
“Temos de trabalhar mais, tenho de pedir mais exercícios, preciso de ter a sensação de que, a cada treino, tenho de estar esgotado. Ao ir para casa, no carro, as pernas têm de me doer, com dores musculares. É isso que vou levar sempre comigo.”

Repouso ativo
“Muito sinceramente, não tenho muitas férias para me vingar. Há o tempo para descansar, para estar com a família, que é sempre isso que procuro quando estou de folga. Depois, tem de haver tempo para me preparar para uma pré-época, ou tal como agora, tenho de estar pronto para o Mundial.”

Peso a mais depois das férias?

“Não tenho esse problema. Acho que o Sérgio Conceição me deu uma boa aprendizagem de vida de um profissional, então levo isso para toda a minha vida.”

Trabalhar com Sérgio Conceição
“Lembro-me das primeiras vezes que cheguei para treinar com ele, vinha da formação, mais gordo e ele dizia que isso não era de profissional. Aquelas lições de vida que, olhando para trás, estou mesmo muito grato, levo um carinho muito grande para com ele sempre e levo isso para toda a minha vida profissional.”

O suporte familiar
“Para mim a família é tudo. Aos cinco anos houve a separação dos meus pais… e isto é algo que eu posso desabafar com toda a gente. Sou filho de pais divorciados e lembro que na altura, quando os meus pais se divorciaram, foi o meu maior desgosto familiar. Hoje em dia é algo que não quero dar aos meus filhos. Se calhar a maior razão é essa.”

Orgulhosamente tripeiro
“Sim, tenho muito orgulho de ser portista, de ser do Porto. Quando vim para Portugal, não vim diretamente para o Porto, fui para a Vila das Aves, mas esse amor cresceu muito quando vim para a Casa Dragão. Com o passar do tempo, a minha família até começou a dizer ‘já estás a falar mesmo à Porto, já com o sotaque’... Não há como escapar. Quando a energia pega, vais com uma boa energia, que é saudável. Tenho muito orgulho de ser portista, de viver aqui no Porto e o tempo que cá estiver vou sempre dar a minha vida pelo FC Porto.”

Herdar a camisola 2?
“Obviamente fico muito honrado por esse desafio do presidente, mas ao mesmo tempo é um número com muita responsabilidade. Vem de uma pessoa (Jorge Costa) pela qual eu tenho muito carinho. Mas é algo que ainda estou a pensar. Depois, tenho o Mundial para fazer e a seguir terei tempo para tomar uma decisão. Mas é algo que tem de ser pensado.”

As inquietudes do mercado
“Acho que esse medo já existe para aí há três anos. O que procurei foi sempre dar o meu melhor onde estiver. E, jogando por este clube, é um amor especial, é um amor diferente. Acho que não há muito para pensar, como estar no dia-a-dia, acho que é algo natural. Obviamente, somos profissionais, são coisas que não dependem só de mim, mas o meu foco agora é com o FC Porto. E é isso que vai continuar a acontecer.”

Paixões extrafutebol
“Tenho essa paixão de conduzir, de ter os meus carrinhos. Partilho esse gosto fora do futebol com o presidente, é quase como um escape na minha vida. Obviamente que o principal hobby é estar com a minha família, sempre. E o outro, se calhar, sim, é talvez o segundo escape que eu tenho.”

A prioridade número um
“Não sou um fanático por ver jogos, obviamente que vejo, mas, quando chego a casa, o meu foco está sempre na minha família. Tenho dois filhos, a mulher, e quero dar a máxima atenção quando estou em casa, porque já passo muito tempo fora de casa, por isso todo o tempo que estou em casa dou prioridade à minha família.”

Telemóvel de parte
“Está em silêncio a toda a hora, ninguém me ligue porque não adianta.”

A quem daria o prémio de Jogador do Ano
“Acho que dava ao (Victor) Froholdt. A energia que ele nos trouxe para o nosso estilo de jogo acho que é mesmo muita, não há como fugir. É uma peça-chave, deu-nos muita gasolina e era completamente merecido se fosse entregue a ele.”

E fora do FC Porto?
“Talvez ao Trincão. Está um jogador que evoluiu muito, cresceu muito e eu admiro-o. Também o conheço a nível de seleção… acho que daria ao Trincão.”

Mundial à porta
“Acho que é bastante óbvia a expectativa: nós todos queremos ganhar o Mundial. Acho que devemos pensar jogo a jogo, porque já passei por experiências a pensar na final e esquecemos de fazer o que está no presente. Obviamente somos uma seleção com muita qualidade. Temos uma geração mesmo muito rica em qualidade, não só em qualidade técnica. Quando digo qualidade, refiro-me a um conjunto de fatores, mas obviamente temos a expectativa de ganhar o Mundial, até porque queremos muito jogá-la pelo Diogo Jota e o seu irmão. Obviamente é mais uma força para este Mundial, mas acho que agora como capitão também a falar do FC Porto, acho que devemos pensar jogo a jogo e estarmos unidos. A expectativa está muito alta. Acho que todos nós, jogadores da seleção, sentimos essa responsabilidade de representar bem o país e é isso que vamos fazer.”

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