Alan Varela em entrevista ao jornal argentino La Nación
Depois de “uma temporada muito boa, tanto a nível pessoal como coletivo”, Alan Varela concedeu uma entrevista ao jornal argentino La Nación para falar sobre a experiência no futebol europeu e o sonho de estar no Campeonato do Mundo de seleções. “Tranquilo e 100% focado no FC Porto”, o centrocampista de 24 anos revela que depois de “uma grande época” o “objetivo é conseguir estar na lista final do Mundial” e acreditar “ter hipóteses” de ser convocado por Lionel Scaloni.
Na Invicta, 2025/26 “foi um ano muito bom porque chegaram bons jogadores, com a mentalidade certa, e uma nova equipa técnica que também exige imenso e está atenta ao mais pequeno detalhe” e Alan Varela mostra-se “muito feliz” pelos feitos alcançados após a chegada de Francesco Farioli, um treinador “muito importante e que trouxe ideias muito boas, que está sempre a tentar melhorar cada detalhe, prepara e analisa muito bem os jogos”.
Em discurso direto perante os compatriotas, o médio decidido a “trabalhar, ser profissional e dar tudo dentro de campo”, para que as pessoas o vejam como “um jogador que deu sempre 100% pela equipa, explica que “o FC Porto quer sempre ganhar tudo, sobretudo o campeonato” e revela qual é a mentalidade da massa associativa portista: “Quando chegas ao FC Porto, a única coisa que as pessoas te exigem é ganhar títulos.”
2025/26 para mais tarde recordar
“Foi uma temporada muito boa, tanto a nível pessoal como coletivo. Conseguimos virar muito bem a página depois do ano passado, em que batemos no fundo. Quando chegas ao FC Porto, a única coisa que as pessoas te exigem é ganhar títulos e jogar bem. Acho que no ano passado não estivemos à altura, mas este ano foi muito bom porque chegaram bons jogadores, com a mentalidade certa, e uma nova equipa técnica que também exige imenso e está atenta ao mais pequeno detalhe. E tudo isso acabou por se refletir ao longo da temporada.”
2024/25 abaixo das expetativas
“Não estivemos à altura em nenhuma competição. Não conseguimos lutar pelo campeonato, que é algo que as pessoas no exigem sempre, nas taças também não estivemos bem, fomos eliminados muito cedo, e também não fizemos um bom Mundial de Clubes. Este ano conseguimos dar a volta e estamos muito felizes por isso.”
Liderança renovada
“A chegada do mister Farioli foi muito importante porque ele trouxe ideias muito boas, está sempre a tentar melhorar cada detalhe, prepara e analisa muito bem os jogos. Além disso, ter o Lucho (González) aqui é uma honra para mim. Como jogador foi extraordinário e poder partilhar o dia a dia com ele, sempre a exigir mais de mim, é muito bom. Tento sempre melhorar, ouvi-lo e aprender com tudo o que me diz.”
Legado argentino
“É muito bonito, porque foram jogadores muito bons e muito reconhecidos que deixaram a sua marca em Portugal. Quando cheguei cá, falavam-me sempre do Lucho, do Lisandro e do Belluschi, e isso reflete o grande trabalho que fizeram. Eu tento sempre trabalhar, ser profissional e dar tudo dentro de campo, para que as pessoas reconheçam que fui sempre um jogador que deu 100% pela equipa.”
Ainda a mudança para a Europa
“A verdade é que foi fácil adaptar-me. Assim que cheguei comecei logo a jogar, mas isso também depende da confiança que o treinador te transmite e da confiança dos colegas para eu conseguir mostrar o meu futebol. Isso foi fundamental para a minha adaptação rápida e para continuar a demonstrar tudo o que tenho mostrado desde que estou aqui.”
Trabalhar com Martín Anselmi
“O Martín pareceu-me um grande treinador, sempre muito atento a cada jogador e a cada detalhe. Mas apanhou a equipa numa má fase e não conseguimos ajudá-lo a implementar todas as ideias que tinha. E depois aconteceu o que aconteceu.”
O presidente André Villas-Boas
“Está a fazer um trabalho incrível, está sempre muito atento à equipa e a tudo o que envolve o FC Porto. É uma grande pessoa. Dá sempre para falar com ele da melhor maneira e entende muito bem aquilo de que o jogador precisa. Como já foi treinador, percebe bastante deste mundo.”
Os rivais de Lisboa
“São sempre jogos muito difíceis. Joga-se tudo contra essas equipas, porque uma derrota pode afastar-te do título. Este ano estivemos bem nesses jogos, não perdemos contra nenhum dos grandes: Benfica, Sporting e SC Braga. Fiquei muito feliz por ganhar alguns clássicos e por não perder outros, porque isso ajudou-nos a ser campeões. Com o Nico (Otamendi) sempre tive uma ótima relação, dentro e fora de campo. Sempre houve respeito entre nós. Claro que num clássico deixa-se tudo em campo, mas fora disso não há problema nenhum.”
A convocatória para o Mundial
“Ser incluído numa lista de 55 jogadores para uma competição dessas é muito bonito. E obviamente não me conformo só com isso. Acho que fiz uma grande época, senti-me muito confortável no FC Porto e acredito que tenho hipóteses, mas ainda falta algum tempo. É continuar a trabalhar e ver o que acontece. A Argentina será sempre candidata. Ganhámos o último Mundial, ganhámos a Copa América e seremos sempre candidatos enquanto o Messi, o nosso número 10, continuar a ser o melhor jogador do mundo.”
Riquelme e Marchesín no Boca Juniors
“De vez em quando trocamos mensagens e há pouco tempo mandei-lhe uma camisola do FC Porto. A minha relação com o Román sempre foi boa e para mim isso é muito especial, porque ele é um dos meus ídolos. No FC Porto tenho colegas que jogaram com o Marchesín e qie lamentam muito a lesão dele. Eu também, como adepto do Boca, fico muito triste por ele se ter lesionado dessa forma. Espero que recupere da melhor maneira e continue a mostrar que pode defender a camisola do Boca.”
O mercado de transferências
“Estou tranquilo e 100% focado no FC Porto. Esses assuntos são tratados pelo meu empresário e neste momento não penso nisso. O meu objetivo é conseguir estar na lista final do Mundial e é nisso que estou focado.”
Mentalidade FC Porto
“Aqui queremos sempre a ganhar tudo, sobretudo o campeonato. A Liga Portuguesa é muito importante porque dá acesso direto à Liga dos Campeões e também é importante fazer uma boa campanha na Champions na próxima época.”
Sonho de menino
“Quando somos pequenos não pensamos tanto em vitórias ou em levantar troféus, pensamos mais em desfrutar do futebol. Eu sempre pensei em aproveitar o futebol até que nasceu a minha filha, quando tinha 17 anos, e aí tornou-se tudo muito sério. Tive de me matar a trabalhar para lhe dar uma vida melhor e para chegar à equipa principal. A partir do momento em que consegui, passei a ver o futebol como um meio de vida, não só para viver, mas também para deixar o meu nome na história de cada clube por onde passo.”
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