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Excerto da entrevista de Francesco Farioli que será transmitida a partir das 21h30 no Porto Canal

O significado da conquista do 31.º título de Campeão Nacional ficou bem expresso na festa épica que pintou a Invicta de azul e branco no passado dia 16 de maio e que fez sair à rua centenas de milhares de portistas. Francesco Farioli, um dos mentores do sucesso, concedeu uma grande entrevista ao Porto Canal, que é transmitida nesta quinta-feira a partir das 21h30, e abordou o primeiro ano no banco azul e branco.

Na verdade, o sucesso começou a ser construído “na primeira conversa com o presidente” e a partir daí surgiu o “trabalho de várias pessoas no Olival, especialmente dos jogadores, que são os principais responsáveis”. Defensor de que “o talento é secundário”, o treinador italiano acredita que uma equipa bem-sucedida tem de ter “uma mentalidade forte e um ADN claro”, como acontece no FC Porto.

Para Francesco Farioli, a chave foi “a união da equipa e o espírito demonstrado em todos os 53 jogos”, sempre com a energia certa para reagir “como o Jorge Costa quereria, como um grupo e como uma equipa”. “Essa consistência trouxe-nos até onde estamos hoje e foi a melhor maneira de representar este incrível clube de futebol e de honrar a memória do eterno Capitão”, acrescentou alguém que sempre sentiu “muita paixão e um grande desejo de fazer algo especial” desde o primeiro dia.

A mudança para a Invicta
“As circunstâncias levaram-me a encontrar as pessoas certas no lugar certo, acho que isso foi a chave desta temporada e para o sucesso que tivemos. Tudo começou na primeira conversa com o presidente. Formámos uma conexão muito rápida. Quando ele começou a falar, para explicar o que o FC Porto significa para ele, eu comecei a ligar vários pontos na minha cabeça, porque senti muita paixão e um grande desejo de fazer algo especial. Enquanto ele falava, eu esperava que ele me perguntasse se eu gostaria de ser o treinador do FC Porto. Felizmente isso aconteceu e a negociação foi muito rápida, ficou tudo resolvido em poucos dias. Há sempre papelada, como é normal, mas foi um início muito enérgico e essa energia é que nos trouxe até aqui. Não foi apenas graças a nós, também se deve ao trabalho de várias pessoas no Olival, especialmente dos jogadores, que são os principais responsáveis. Todos esses pequenos passos fizeram com que pudéssemos conquistar o título e, com a festa ainda está fresca na nossa mente, temos a certeza de que nunca a esqueceremos.”

A renovação do plantel
“As qualidades técnicas são um extra, porque o talento é secundário. Para uma equipa ser bem-sucedida precisa de ter uma mentalidade forte e um ADN claro. Neste Clube há uma mística forte, que está connosco em todas as ações, em todas as decisões, em todos os passos que damos dentro e fora do campo. Depois, podem fazer a diferença os jogadores com certas qualidades, mas, para ser realmente competitivo, e para ter hipóteses de ganhar, não há outro segredo. A chave é esta, é a união da equipa e o espírito que tivemos em todos os 53 jogos que disputámos.”

A importância da pré-época
“O estágio na Áustria foi o principal rastilho desta energia, porque a primeira semana no Olival foi difícil. Ainda me lembro das primeiras sessões de treino… quando falava com os jogadores sentia que não estávamos bem. E digo estávamos porque a partir do momento em que assinei por este Clube herdei tudo, nomeadamente o sofrimento da época anterior. Começámos todos com a mesma dor e foi isso que criou laços entre nós, que nos uniu. Os primeiros dias foram mais para limpar. As pessoas podem achar que começamos numa página em branco, mas nunca é assim. É preciso ser capaz de virar a página, mas quando viramos a página ainda há resquícios do passado. Foi na Áustria que decidimos começar a escrever histórias novas em cima de uma página que não era perfeita. Dia após dia, a escrita ficou mais fluente e finalmente terminámos o livro da forma que queríamos. Há dias li uma entrevista do Rodrigo (Mora) a falar desse estágio como um momento de conexão entre os jogadores e a equipa técnica. Às vezes podem pensar que o segredo é escolher o onze certo, mas se calhar o segredo foi escolher a canção certa para apresentar a equipa técnica aos jogadores.”

As primeiras impressões
“Eu já tinha vivido várias experiências em diferentes países e sempre me fiz acompanhar por uma vasta equipa técnica, porque quando o tempo escasseia é muito importante ter impacto logo nos primeiros dias. Isso tem de acontecer no relvado, onde a mensagem é transmitida, mas também nos processos entre os diferentes departamentos e pessoas. Ter alguém que seja uma extensão nossa em cada área é uma maneira de acelerar certos processos, mas nunca é suficiente se, do outro lado, a porta estiver fechada. Aqui encontrámos uma porta aberta. A primeira pessoa do staff que eu conheci foi o Lucho (González). O presidente queria muito que ele voltasse e eu aceitei ter um adjunto do Clube na minha equipa técnica. Depois da primeira conversa, durante uma sessão de vídeo, fiquei logo com boas sensações. Depois de uma semana já não sabíamos quem era quem, quem eram os adjuntos trazidos pelo treinador e quem eram os adjuntos do Clube.”

Trabalhar no CTFD Jorge Costa
“Aqui somos todos a equipa técnica do FC Porto. Foi assim desde o princípio e será assim até ao fim. Essa coesão é importante para mim, mas não tem importância se não existir em todos os departamentos, em todas as áreas e entre todas as pessoas que trabalham no Olival. No Olival conheci pessoas que nos recebem com um sorriso. Desde o team manager ao técnico de equipamentos, das senhoras da cozinha às pessoas que tratam da relva, vemos a forma como todos tratam os jogadores e a forma como os jogadores os abraçam. Isso diz muito sobre o que criámos esta temporada e sinto-me muito orgulhoso por ser uma pequena peça deste grande puzzle formado por quase 100 pessoas. Todos com diferentes responsabilidades, alguns mais visíveis e outros mais na sombra, mas todos têm o seu papel e todos nos empurram na direção certa. Nos momentos difíceis descobrimos uma forma de nos aproximarmos e, coincidência ou não, o slogan da temporada foi «Seguimos Juntos». Não foi só o slogan do Clube, foi também o slogan da equipa todos os dias.”

Os jogos contra o FC Twente e o Atlético de Madrid
“Esses foram os primeiros jogos na nossa casa e criaram alguma expetativa entre os adeptos. No regresso do Mundial de Clubes vimos a tristeza e o sofrimento de todos depois de uma temporada que não correu bem e, em menos de um mês, a equipa redescobriu uma força, um compromisso e uma união que contagiou os adeptos, e vice-versa. Foi uma partilha de energias que começou nesses dois jogos, com a crença certa, com as sensações certas e com as emoções certas. Essa sensação continuou a crescer durante a temporada e fez com que jogássemos em casa em 32 das 34 jornadas do campeonato. Nas únicas duas em que estivemos em inferioridade numérica nas bancadas, os adeptos conseguiram fazer barulho suficiente para sentirmos o seu apoio e foi uma caminhada fantástica. A festa do título reuniu todas as emoções desta temporada. Não vimos um metro de espaço vazio, do Dragão à Ribeira e da Ribeira aos Aliados, em todas as ruas, em todas as varandas, em todo lado, vimos pessoas a quererem mostrar que estavam connosco. Foi um momento fantástico, que será inesquecível para todos.”

Em honra de Jorge Costa
“O que vivemos no dia 5 de agosto vai ficar connosco para sempre. Foi um momento dramático, desde a primeira sensação de que algo estava errado até recebermos a má notícia algumas horas depois. Ainda me lembro de estar com o presidente, com o Tiago e com o Diogo a tentar perceber o que estava a acontecer e como deveríamos reagir, porque ninguém está preparado para estas coisas. Isto não se aprende no curso de treinador e não há uma forma certa de reagir. Nesse momento descobrimos a energia necessária para reagir como o Jorge quereria, como um grupo e como uma equipa. A resposta que demos em campo passados poucos dias, aquele momento antes do jogo, o minuto de silêncio, todo o estádio com o número 2… é difícil explicar. O Jorge esteve sempre connosco. Nos momentos difíceis olhei muitas vezes para a bandeira dele.”

«Rock and roll» dentro de campo?
“Eu não sei qual é a definição exata, mas há uma palavra onomatopeica de que gosto muito: abordagem. Abordamos todos os jogos com um espírito combativo e, nos momentos de cansaço, lutamos ainda mais. Foi isso que fizemos em todos os jogos. Alguns foram mais agradáveis de ver, outros menos, mas abordámos todos com o mesmo espírito. Essa consistência trouxe-nos até onde estamos hoje e foi a melhor maneira de representar este incrível clube de futebol e de honrar a memória do eterno Capitão.”

O Porto Canal transmite a entrevista completa de Francesco Farioli a partir das 21h30

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